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Israel e Estados Unidos lançam 'último aviso' ao Hamas
Israel instou o Hamas nesta segunda-feira (8) a se render e libertar todos os reféns se não quiser ser "aniquilado", horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançar um aviso semelhante ao movimento palestino.
Paralelamente, seis pessoas, uma delas de nacionalidade espanhola, morreram em um ataque a tiros em Jerusalém Oriental, um setor ocupado e anexado por Israel, segundo os socorristas israelenses.
O Hamas celebrou o ataque, um dos mais mortais na cidade desde o início da guerra na Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023. "Afirmamos que esta operação é uma resposta natural (...) ao genocídio que [Israel] está cometendo contra nosso povo", indicou em um comunicado, sem reivindicar o atentado, mas garantindo que os agressores eram palestinos.
Em Gaza, a Defesa Civil local informou nesta segunda-feira a morte de pelo menos dez palestinos devido a bombardeios israelenses, entre eles três crianças com menos de cinco anos, em ataques que atingiram tendas de deslocados na Cidade de Gaza, no norte.
"Este é um último aviso aos assassinos e estupradores do Hamas (...): libertem os reféns e deponham as armas, ou Gaza será destruída e vocês aniquilados", declarou na rede social X o ministro da Defesa, Israel Katz, que acrescentou que o Exército "se prepara para expandir suas manobras para conquistar a Cidade de Gaza".
- "O que fizeram de errado?" -
"Os israelenses aceitaram minhas condições. É hora de o Hamas também aceitar. Eu o adverti sobre as consequências de não aceitá-las. Este é meu último aviso", indicou Donald Trump no domingo.
O Hamas afirmou ter recebido, "por meio de mediadores, algumas ideias da parte dos americanos para alcançar um cessar-fogo".
O movimento declarou-se disposto a retomar "imediatamente" as negociações sobre a libertação dos reféns "em troca de uma declaração clara do fim da guerra e da retirada completa de Israel da Faixa de Gaza", entre outras coisas.
Israel rejeita essas exigências e insiste em seu objetivo de destruir o Hamas e tomar o controle da segurança de todo o território palestino.
Nas últimas semanas, o Exército intensificou suas operações terrestres e bombardeios na Cidade de Gaza, o maior município da Faixa.
No hospital Al Shifa, palestinos choravam por familiares mortos em ataques contra tendas de deslocados, segundo imagens da AFP. Várias mulheres soluçavam perto dos corpos de duas meninas de 2 e 5 anos. Mais adiante, um homem acariciava o rosto de seu bebê de um ano, cujo corpo estava envolto por um manto branco.
"Crianças estão morrendo, o que fizeram de errado? Um bebê de um ano, o que fez de errado?", exclamou seu avô, Hazem Issa.
O Exército controla cerca de 75% da Faixa de Gaza e 40% da Cidade de Gaza, onde vivem cerca de um milhão de pessoas, segundo estimativas recentes da ONU.
- "Retórica genocida" -
O Exército instou a população da Cidade de Gaza a evacuar para a zona de al Mawassi, no sul, declarada "humanitária" há vários meses. No entanto, a região tem sido alvo, em diversas ocasiões, de bombardeios mortais israelenses.
"Fico horrorizado com o uso aberto de uma retórica genocida e a desumanização vergonhosa dos palestinos por parte de autoridades israelenses", declarou o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk.
O embaixador israelense na ONU em Genebra, Daniel Meron, o acusou no X de continuar "disseminando comentários difamatórios e minando a segurança do Estado judeu".
A Espanha anunciou medidas para "cessar o genocídio em Gaza", entre elas um embargo de armas a Israel. Em resposta, Israel criticou o país por uma "campanha antissemita", o que Madri rejeitou de imediato.
O ataque do Hamas de 7 de outubro, que desencadeou a guerra, provocou a morte de 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais.
As represálias israelenses deixaram pelo menos 64.522 mortos em Gaza, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde do território, sob autoridade do Hamas, cujos dados são considerados confiáveis pela ONU.
T.Suter--VB