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Diante de milhares de mexicanos, Sheinbaum diz que diálogo derrubará tarifas de Trump
Rodeada por centenas de milhares de simpatizantes, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse neste domingo (9) confiar que o diálogo com Donald Trump sepultará a ameaça do presidente americano de impor tarifas às importações provenientes do território mexicano.
Durante um evento convocado para celebrar um acordo com o republicano para adiar a entrada em vigor da taxação até 2 de abril, Sheinbaum declarou-se otimista sobre um arranjo que proteja definitivamente o tratado de livre comércio entre Estados Unidos, Canadá e México. O T-MEC receberia um golpe devastador se Washington acabar taxando em 25% seus dois parceiros comerciais.
"Somos otimistas porque nesse dia (...) o governo dos Estados Unidos anunciou que colocará tarifas recíprocas a todos os países do mundo" e, no caso do México, "não teriam que ser aplicadas" porque não existem em virtude do T-MEC, afirmou a presidente de esquerda no Zócalo da capital, principal praça pública do país, onde se reuniram cerca de 350 mil pessoas, segundo números do governo local.
Os Estados Unidos são o destino de 80% das exportações mexicanas.
Originalmente, Sheinbaum, cuja popularidade ronda 80%, organizou este ato para anunciar as "medidas tarifárias e não tarifárias" com as quais o México responderia caso as tarifas tivessem sido mantidas.
No entanto, o magnata republicano pausou a aplicação da medida na quinta-feira após uma conversa por telefone com Sheinbaum, alegando que o fez em consideração a ela.
"Nós nos reunimos para comemorar porque na relação com os Estados Unidos, com seu governo, prevaleceu o diálogo e o respeito, e foram suspensas as tarifas", ressaltou a presidente.
Em um palco instalado em frente ao Palácio Nacional, sede do governo, também advertiu: "Não podemos ceder em nossa soberania, nem pode nosso povo ser afetado por decisões tomadas por governos ou hegemonias estrangeiras".
Trump apresenta as tarifas como um castigo ao México e ao Canadá por tolerarem, segundo ele, a entrada de migrantes irregulares e de fentanil, associado a dezenas de milhares de mortes por overdose a cada ano nos Estados Unidos.
- “Ela tem coragem” -
"Você não está sozinha", gritavam participantes do evento sob um sol intenso. Alguns destacaram a paciência de Sheinbaum diante de Trump, que chegou a acusar seu governo de estar infiltrado pelo narcotráfico e prometeu travar uma "guerra" contra os cartéis mexicanos.
"Claudia lidou bem com Trump. Como ela diz, é preciso ter calma e paciência", disse à AFP Perla Aquino, empregada de 45 anos, em meio às bandeiras do México e do partido governista Morena.
"Ela tem coragem, veste as calças para enfrentar o magnata americano que está tentando nos pressionar (...). Espero que isso tenha consequências para os estadunidenses porque não temos que pagar pelos erros deles", comentou, por sua vez, Claudia Cabrera, psicóloga de 29 anos.
Apesar do tom ameaçador de Trump em relação ao México, Sheinbaum agradeceu a "vontade" de diálogo de seu contraparte, que recentemente a descreveu como uma mulher "maravilhosa" e prometeu replicar sua campanha nacional contra o fentanil.
"Com informação e diálogo respeitoso sempre poderemos alcançar uma relação de respeito. Até agora tem sido assim", afirmou a presidente, que, entretanto, apontou que os mexicanos nunca esquecerão a "mordida" dos Estados Unidos em metade de seu território durante as invasões de 1846 e 1914.
- Risco de recessão -
Citando números oficiais americanos, a presidente também destacou que, graças às apreensões realizadas no México, a entrada de fentanil nos Estados Unidos pela fronteira de 3.100 km foi reduzida em 50% entre outubro de 2024 e janeiro de 2025.
Sheinbaum reiterou que o México continuará a cooperar para enfrentar esse tráfico por "razões humanitárias" e espera que os Estados Unidos cumpram seus compromissos para controlar o tráfico de armas para as organizações criminosas mexicanas.
Embora o México seja um importante fornecedor de produtos como abacate e tequila para seu vizinho, o maior impacto seria nas cadeias de produção nas fábricas dos três parceiros do T-MEC.
De acordo com um relatório da firma britânica Capital Economics, a aplicação das tarifas anunciadas por Trump levaria o México a uma recessão econômica.
D.Schlegel--VB