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Trump recebe Zelensky para assinar acordo sobre minerais e debater a guerra
Com um tom menos hostil em relação a Volodimir Zelensky do que o expressado nas últimas semanas, Donald Trump recebe nesta sexta-feira (28) o presidente ucraniano em uma visita que vai muito além de um acordo que assinarão sobre minerais estratégicos.
O presidente dos Estados Unidos, que rompeu com a política do seu antecessor Joe Biden de apoiar Kiev e protagonizou uma surpreendente aproximação com Vladimir Putin, receberá Zelensky por volta das 11H00 (13H00 de Brasília).
O imprevisível Trump minimizou na quinta-feira os comentários que fez na semana passada sobre o presidente ucraniano, a quem chamou de "ditador".
"Eu disse isso?", perguntou, fingindo surpresa. "Não posso acreditar que disse isso. Próxima pergunta", acrescentou o presidente republicano, que mais tarde afirmou sentir "muito respeito" por seu homólogo ucraniano.
Mas a mudança de tom se deve ao acordo que ele assinará com Zelensky? Não é possível saber, mas o certo é que em política nada agrada mais ao homem que fez carreira no setor imobiliário do que concluir um "acordo" vantajoso.
- "Perfurar" -
O acordo permitirá aos Estados Unidos ter acesso aos recursos do subsolo ucraniano, como exigia Trump, em compensação pela ajuda militar e financeira desembolsada nos últimos três anos.
"Vamos perfurar, perfurar, perfurar", disse o republicano de 78 anos na quinta-feira.
O acordo não é exatamente como desejava o presidente americano, que havia solicitado a menção do valor de 500 bilhões de dólares (2,9 trilhões de reais), que o texto final não incluiu.
O texto estabelece um fundo conjunto de investimento em metais, hidrocarbonetos e investimentos. O acordo também não prevê garantias absolutas de segurança para a Ucrânia.
"Mas a ideia é que, com um investimento conjunto nos recursos do país, os Estados Unidos continuarão envolvidos na segurança e estabilidade", destacam Gracelin Baskaran e Meredith Schwartz em uma nota de análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
O próprio Trump alegou na quinta-feira que o acordo funcionaria como uma espécie de "rede de segurança".
"Não acredito que ninguém vá entrar em problemas se estivermos (na Ucrânia), com muitos trabalhadores para explorar minerais", acrescentou o presidente americano.
A Ucrânia possui quase 5% dos recursos minerais do mundo, mas os que Trump cobiça não são explorados em sua maioria, são difíceis de extrair ou estão sob controle russo, em territórios ocupados.
O que está em jogo durante a visita de Zelensky vai muito além do manganês e do grafite.
A Ucrânia e a Europa acompanham com preocupação a aproximação entre Trump e Putin, que conversaram longamente por telefone em 12 de fevereiro e iniciaram negociações para acabar com a guerra.
Na quinta-feira, o presidente americano reiterou que confia no presidente russo, apesar das repetidas advertências do Reino Unido e da França sobre a fragilidade de qualquer trégua que não esteja acompanhada por um sólido aparato de controle e segurança, garantido pelos Estados Unidos.
Ele disse estar convencido de que Putin "cumprirá sua palavra" em caso de cessar-fogo.
Trump se recusa a culpar Moscou pela guerra e já chegou a acusar a Ucrânia. Ele fechou a porta para uma adesão da Ucrânia à Otan, alegando que esta perspectiva deve ser "esquecida".
Mas o presidente americano considerou na quinta-feira que, em caso de um acordo de paz, Kiev poderia recuperar parte do território. "Tentaremos recuperar o máximo possível", declarou, antes de elogiar "a coragem" das tropas ucranianas.
R.Buehler--VB