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Rússia considera diálogo entre Putin e Trump 'promissor'
O Kremlin afirmou neste domingo (23) que considera "promissor" o diálogo entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera do terceiro aniversário da operação russa na Ucrânia, enquanto o presidente americano se mostra cada vez mais hostil a Kiev.
Donald Trump afirmou que deseja recuperar o dinheiro emprestado para ajudar Kiev nos últimos três anos, obtendo acesso aos recursos minerais da Ucrânia.
O presidente americano iniciou uma aproximação do governo Putin e estabeleceu conversações com Moscou sem a participação ucraniana ou europeia. Também passou a adotar um tom incendiário a respeito do homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, responsabilizando a Ucrânia pelo conflito e a quem chamou de "ditador".
Questionado sobre a mudança de 180 graus por parte de Washington, o porta-voz do Kremlin não escondeu sua satisfação, no momento em que as duas potências afirmam estar preparando uma reunião de cúpula entre os dois presidentes para negociar o futuro da Ucrânia.
"O diálogo acontece entre dois presidentes verdadeiramente notáveis. É promissor. É importante que nada possa prejudicar a implementação de sua vontade política", declarou Dmitri Peskov à televisão russa.
Peskov considerou "compreensível" a hostilidade de Trump em relação a Zelensky, após uma troca de farpas entre os dois: o presidente ucraniano acusou o homólogo americano de viver "em um espaço de desinformação" russa, depois que o magnata republicano acusou Kiev de ser responsável pelo conflito iniciado em 24 de fevereiro de 2022.
- "Missão" divina, afirma Putin -
Vladimir Putin iniciou o domingo com a cerimônia do Dia dos Defensores da Pátria. O presidente russo afirmou que tanto ele como seu exército têm a "missão divina de defender a Rússia", e prometeu "fortalecer" ainda mais as Forças Armadas.
"O destino quis assim, Deus quis assim, se me permitem dizer. Uma missão tão difícil quanto honrosa – defender a Rússia – recaiu sobre meus ombros e os seus", disse Putin a militares condecorados durante uma cerimônia no Kremlin.
Além de derrotar a Ucrânia, Putin busca uma reorganização da segurança europeia, afastando e enfraquecendo a Otan.
O retorno de Donald Trump à Casa Branca reforça a posição, já que Washington parece querer distância do continente europeu.
O governo americano se opõe à adesão de Kiev à Aliança Atlântica e se mostra favorável a que os ucranianos façam concessões territoriais. O porta-voz do Kremlin insistiu que a Rússia "nunca venderá" os territórios que ocupa, que representam quase 20% da Ucrânia.
- Zelensky entre duas frentes -
O presidente ucraniano, bloqueado entre duas frentes, pediu neste domingo a unidade entre os Estados Unidos e a Europa visando uma "paz duradoura".
"Devemos fazer todo o possível para alcançar uma paz duradoura e justa para a Ucrânia. Isto é possível com a unidade de todos os aliados: precisamos da força de toda a Europa, da força dos Estados Unidos, da força de todos os que querem uma paz duradoura", disse no Telegram.
Os europeus, que enfrentam a ameaça russa e a mudança de rumo dos Estados Unidos, tentam iniciar uma mobilização.
O presidente francês, Emmanuel Macron, visitará Washington na segunda-feira, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, fará o mesmo na quinta-feira.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitará Kiev na segunda-feira, assim como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. No mesmo dia, Londres pretende anunciar novas sanções contra Moscou.
O governo dos Estados Unidos propôs na Assembleia Geral da ONU um projeto de resolução por ocasião do terceiro aniversário do início da guerra, um texto que não menciona a integridade territorial ucraniana.
"Uma boa ideia", segundo o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vassili Nebenzia.
- Minerais estratégicos -
O presidente dos Estados Unidos exige acesso privilegiado aos minerais estratégicos da Ucrânia, em troca da ajuda fornecida durante três anos de guerra.
Um projeto de acordo inaceitável para Kiev, porque não inclui garantias de segurança, nem a promessa de continuidade da assistência militar com a qual a Ucrânia contou até agora para enfrentar um adversário mais numeroso e com melhores equipamentos.
O texto equivale a "obter 500 bilhões" de dólares (2,8 trilhões de reais) de Kiev, indicou à AFP uma fonte ucraniana que acompanha as negociações. A fonte disse que a Ucrânia propôs "modificações".
Na frente de batalha, a situação continua difícil para a Ucrânia. O exército russo reivindicou neste domingo a conquista de duas localidades no leste, Ulakly e Novoandrivka.
Durante a noite, o país foi alvo de um ataque com 267 drones inimigos, um número "recorde" desde o início do conflito, segundo a Força Aérea, que indicou que 138 dispositivos foram derrubados e outros 119 eram iscas.
O exército informou em um comunicado que várias regiões, incluindo Kiev, foram "atingidas".
A.Zbinden--VB