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Líderes europeus mostram frágil mensagem de unidade após reunião de crise para discutir 'nova fase' com Trump
Uma dezena de líderes europeus tentou superar diferenças em uma reunião de crise sobre a Ucrânia nesta segunda-feira (17), mas a "nova fase" das relações com os Estados Unidos, com Donald Trump no poder, evidenciou divisões sobre o envio de tropas de manutenção de paz.
Dirigentes da União Europeia (UE) e da Otan se reuniram em Paris na tentativa de mostrar uma frente unida diante da mudança na política dos Estados Unidos em relação à guerra na Ucrânia, mas o eventual envio de tropas de paz gerou discordâncias.
Os líderes europeus temem que Trump feche um acordo com a Rússia em negociações que excluam a Ucrânia e a UE.
Durante a reunião, à qual compareceram os chefes de governo de Alemanha, Reino Unido, Itália, Polônia, Espanha, Países Baixos e Dinamarca, a ideia de enviar tropas para a Ucrânia, mesmo que futuramente para garantir um cessar-fogo, causou atritos.
O chefe de governo da Alemanha, Olaf Scholz, afirmou após a reunião que o debate é "altamente inadequado" e "precoce".
O ministro de Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também disse que "é muito incipiente" falar sobre o envio de tropas para a Ucrânia.
"Neste momento não há paz, e o esforço deve ser alcançar a paz o mais rápido possível", afirmou.
Também compareceram o presidente do Conselho Europeu, a presidente da Comissão Europeia e o secretário-geral da Otan.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que "a Ucrânia merece a paz através da força" e que isso deve ser alcançado "respeitando sua independência, soberania e integridade territorial, com fortes garantias de segurança".
O chefe da Otan, Mark Rutte, afirmou que os europeus estão "dispostos e preparados". "Será necessário decidir os detalhes, mas o compromisso está claro", garantiu.
- "Uma nova fase" -
Um ator-chave na reunião foi o primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, que na próxima semana visitará Trump em Washington e busca desempenhar um papel de facilitador entre os Estados Unidos e os europeus.
Starmer afirmou que está disposto a propor o envio de forças britânicas como parte de um contingente maior, se um acordo de paz duradouro for alcançado, mas ressaltou que é necessário o apoio de Washington, pois "uma garantia dos Estados Unidos é a única maneira de dissuadir efetivamente a Rússia de atacar a Ucrânia novamente".
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, constatou após a reunião que as relações com os Estados Unidos "entraram em uma nova fase".
O encontro, convocado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, ocorreu em um momento delicado para as relações transatlânticas.
Tanto Kiev quanto os países europeus temem ser excluídos das negociações para encerrar o conflito na Ucrânia, que a Rússia invadiu em fevereiro de 2022.
A desconfiança começou após a conversa por telefone, na quarta-feira, entre o presidente americano Donald Trump e seu colega russo Vladimir Putin para discutir o início das negociações.
O contato entre os dois líderes foi um dos principais tópicos da Conferência de Segurança realizada no fim de semana em Munique.
No encontro, o vice-presidente americano JD Vance também fez um discurso hostil em relação aos aliados europeus.
Trump disse no domingo que poderia se encontrar com Putin "muito em breve" e o Kremlin anunciou hoje que uma reunião entre autoridades russas e americanas está marcada para terça em Riade, na Arábia Saudita.
A reunião, confirmada pelos Estados Unidos, tentará "restaurar" as relações entre Moscou e Washington e abordar "possíveis negociações sobre a Ucrânia", segundo a Presidência russa.
O Departamento de Estado americano insistiu, no entanto, em que Washington não considera a reunião como o início de "negociações" sobre a Ucrânia.
- Um maior "financiamento" -
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou após a reunião que a Rússia "está ameaçando agora toda a Europa".
Europa e Estados Unidos devem "agir sempre juntos" pela segurança coletiva, declarou Scholz.
Scholz também pediu um maior "financiamento" para as capacidades de defesa, um ponto no qual todos estiveram de acordo de forma geral.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pressionou, no sábado, em Munique, seus aliados europeus a reforçarem sua unidade e os instou a criar um Exército europeu.
O.Schlaepfer--VB