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Israel e EUA mostram frente unida sobre Gaza e ante Irã
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mostraram, neste domingo (16), uma frente unida contra seus inimigos comuns, ameaçando abrir "as portas do inferno" para o Hamas e "acabar o trabalho" contra a ameaça iraniana.
Após dialogar com Rubio, que iniciou sua primeira viagem pelo Oriente Médio, Netanyahu assegurou que Israel e Estados Unidos têm "uma estratégia comum" em relação ao futuro da Faixa de Gaza. O líder israelense elogiou o que chamou de "visão ousada" do presidente Donald Trump, que propôs tomar o território palestino e deslocar sua população para o Egito e a Jordânia.
"Vamos trabalhar para garantir que essa visão se torne realidade", disse Netanyahu. Rubio insistiu, por sua vez, que o movimento islamista Hamas deve ser "eliminado".
A visita de Rubio a Israel acontece um dia após a libertação de três reféns israelenses capturados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 em troca de 369 palestinos presos em Israel. A troca foi a sexta desde que a trégua entrou em vigor em 19 de janeiro, após mais de 15 meses de guerra.
Netanyahu alertou no domingo que Israel abriria "as portas do inferno" em Gaza, a menos que todos os reféns fossem devolvidos, em sintonia com Trump. O dirigente israelense também assegurou que seu país "acabará o trabalho" contra a ameaça iraniana com o apoio dos Estados Unidos, depois de ter aplicado "um golpe poderoso no eixo terrorista" da república islâmica desde outubro de 2023. Rubio declarou que o Irã dos "aiatolás" é a maior "fonte de instabilidade" na região.
Posteriormente, o gabinete de Netanyahu anunciou que ele presidirá amanhã uma reunião do gabinete de segurança para discutir a segunda fase do acordo de cessar-fogo com o Hamas. Também anunciou para amanhã o envio de uma equipe de negociação ao Cairo, "com o objetivo de discutir a continuação da implementação da primeira fase do acordo".
- Retomada das negociações? -
Durante a noite, Israel afirmou ter recebido uma remessa de bombas fabricadas pelos Estados Unidos, desbloqueada pelo governo Trump.
"Em qualquer momento os combates podem ser retomados. Esperamos que a calma continue e que o Egito pressione Israel para evitar que reiniciem a guerra e desloquem as pessoas", disse Nassar al Astar, professor aposentado de 62 anos em Khan Yunis, no sul de Gaza.
O conflito começou em 7 de outubro de 2023, após um ataque do Hamas no sul de Israel que matou 1.211 pessoas, a maioria civis, de acordo com um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Os comandos islamistas também capturaram 251 pessoas naquele dia, 70 das quais permanecem em Gaza, embora 35 estejam mortas, de acordo com o exército israelense.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva implacável em Gaza, que já deixou pelo menos 48.271 mortos, de acordo com dados do Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas, que a ONU considera confiáveis.
A primeira fase da trégua, mediada por Catar, Egito e Estados Unidos, libertou até agora 19 reféns israelenses e 1.134 palestinos. O acordo prevê que 33 reféns sejam libertados nessa fase, em troca de 1.900 prisioneiros palestinos.
A segunda fase do acordo deve permitir o retorno de todos os reféns e o fim definitivo da guerra, mas sua implementação é incerta porque as negociações ainda não começaram.
A terceira e última fase será dedicada à reconstrução da Faixa, para a qual a ONU estima que serão necessários mais de US$ 53 bilhões (R$ 303 bilhões na cotação atual).
- 'Violação grave' -
O cessar-fogo também ficou por um fio nesta semana, em meio a acusações mútuas de violação do acordo. Antes do encontro entre Netanyahu e Rubio, o exército israelense anunciou que bombardeou "vários indivíduos armados" no estreito território palestino.
O Hamas, classificado como uma organização "terrorista" por Estados Unidos, Israel e União Europeia, indicou que três policiais morreram em um bombardeio israelense perto da cidade de Rafah, no sul do território. O grupo islamista referiu-se ao ataque como uma "violação grave" da trégua.
Esse foi o segundo ataque aéreo israelense em Gaza desde o início do cessar-fogo. Quanto ao futuro do território palestino, a Arábia Saudita sediará, em 20 de fevereiro, uma cúpula de cinco países árabes para elaborar uma resposta à proposta de Trump de deslocar os 2,4 milhões de habitantes da Faixa de Gaza e torná-la um destino turístico luxuoso como a Riviera francesa.
O presidente americano considera que não se pode considerar "as mesmas velhas ideias", disse neste domingo Rubio, que viajará em breve para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.
A ideia de Trump é comemorara em Israel, mas criticada de forma generalizada pela comunidade internacional.
O presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, assegurou, neste domingo, que estabelecer um Estado palestino é "a única garantia" de uma paz duradoura no Oriente Médio.
P.Staeheli--VB