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Catar e Egito 'trabalham intensamente' para resolver a 'crise' com a trégua em Gaza
Catar e Egito trabalham "intensamente" como mediadores para resolver a crise em torno da trégua em Gaza, disse uma fonte palestina à AFP nesta quarta-feira (12), depois que Israel e os Estados Unidos ameaçaram retomar a guerra se o Hamas não entregar mais reféns no sábado.
"Mediadores do Catar e do Egito estão em contato com o lado americano", disse a fonte, que pediu anonimato.
"Eles estão trabalhando intensamente para resolver a crise e forçar Israel a cumprir o protocolo humanitário no acordo de trégua e iniciar as negociações para a segunda fase" da trégua, acrescentou.
Pelos termos da trégua, que interrompeu mais de 15 meses de guerra na Faixa de Gaza, reféns seriam libertados periodicamente em troca de palestinos presos por Israel.
Cinco trocas foram feitas até agora.
Porém, o acordo de trégua tem sofrido enorme pressão nos últimos dias, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertando na terça-feira que os combates podem recomeçar se mais reféns não forem libertados no sábado.
"Se o Hamas não libertar nossos reféns até o meio-dia de sábado, o cessar-fogo terminará e (o exército israelense) retomará os combates intensos até que o Hamas seja definitivamente derrotado", disse Netanyahu em um comunicado.
- Trump intervém -
A ameaça de Netanyahu ecoou a do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que um dia antes alertou que o "inferno" se instalaria se o Hamas não libertasse "todos" os reféns israelenses no sábado.
Trump já havia proposto assumir o controle de Gaza e deslocar seus mais de 2 milhões de habitantes para o Egito e a Jordânia.
O líder do Hamas, Sami Abu Zuhri, disse que os comentários de Trump "complicam as coisas".
"Trump precisa lembrar que há um acordo que deve ser respeitado por ambas as partes", disse ele à AFP.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu ao Hamas que realize a libertação dos reféns programada para sábado e "evite a todo custo a retomada das hostilidades em Gaza".
O Egito, aliado dos EUA, disse na terça-feira que espera "apresentar uma visão abrangente para a reconstrução" de Gaza que garanta que os moradores permaneçam em suas terras.
O Hamas agradeceu ao Egito e à Jordânia por rejeitarem os planos de deslocamento dos palestinos.
O movimento islamista "aprecia as posições de nossos irmãos na Jordânia e no Egito em rejeitar o deslocamento de nosso povo e afirmar que há um plano árabe para reconstruir Gaza sem deslocar seus moradores", indicou.
A sexta troca de reféns por prisioneiros estava marcada para sábado, mas o Hamas anunciou esta semana que a adiaria, citando a recusa de Israel em permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza.
Desde então, as tensões pioraram.
"A obstrução contínua de Israel e a recusa em se comprometer com o início da segunda fase das negociações confirmam a persistência da ocupação (Israel) em sabotar o acordo de trégua e retomar a agressão", disse outra fonte do Hamas, que pediu anonimato.
A segunda fase do acordo deve levar à libertação de todos os reféns e ao fim definitivo da guerra.
T.Suter--VB