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Dirigentes da UE se reúnem para falar sobre defesa, mas tarifas entram na agenda
Os líderes da UE iniciaram uma reunião em Bruxelas nesta segunda-feira (3), que deveria se concentrar em questões de defesa, mas o espectro das tensões comerciais com os Estados Unidos colocou os líderes em alerta contra possíveis aumentos de tarifas.
No sábado, o presidente Donald Trump impôs tarifas de 25% sobre dois parceiros de longa data, Canadá e México, e tarifas de 10% sobre produtos chineses, uma medida que levantou bandeiras vermelhas nas capitais europeias.
No domingo, a UE lamentou o anúncio dos EUA e advertiu que responderá “com firmeza” se as tarifas forem aplicadas “injustamente” a ela.
“Se formos atacados em questões comerciais, a Europa, como uma potência firme, terá que se fazer respeitar e, portanto, reagir”, disse o presidente francês, Emmanuel Macron, ao chegar ao local da reunião.
Outro líder europeu influente, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse que as guerras comerciais são “totalmente desnecessárias e estúpidas”, mas pediu a seus pares europeus que não deixem de lado o “bom senso”.
Por sua vez, o chefe de governo da Alemanha, Olaf Scholz, disse que uma escalada de tarifas entre a Europa e os EUA não seria boa para nenhum dos lados.
“Os Estados Unidos e a Europa se beneficiam do intercâmbio de bens e serviços. Se uma política tarifária torna tudo isso mais complicado, isso é ruim para os EUA e para a Europa”, disse ele.
Na opinião de Scholz, a UE, como “uma grande área econômica, pode reagir às políticas alfandegárias com políticas alfandegárias”, mas ele acrescentou que “o objetivo deve ser sempre a cooperação”.
Ao chegar à cúpula informal, a chefe da diplomacia da UE, a estoniana Kaja Kallas, disse que a Europa e os EUA precisam um do outro.
“Nós precisamos dos Estados Unidos, e os Estados Unidos também precisam de nós”, disse ela, acrescentando que as tarifas "aumentam os custos e não são boas para o emprego".
- Defesa, a questão sensível -
A cúpula informal de segunda-feira em Bruxelas deveria inicialmente se concentrar em defesa e segurança, razão pela qual o secretário-geral da Otan e o primeiro-ministro britânico foram convidados.
É a primeira cúpula de líderes europeus desde que Trump retornou à Casa Branca, e é também a primeira reunião inteiramente dedicada à defesa.
É também a primeira reunião entre líderes da UE com a presença do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, desde que o Reino Unido deixou o bloco europeu.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os países da UE na Otan concluíram que devem aumentar seus gastos com defesa.
No entanto, Trump insiste que os países europeus não estão fazendo o suficiente, e até sugeriu que esses aliados não podem mais considerar a proteção dos EUA um fato consumado.
Portanto, ele está pressionando para que os países da Otan aumentem seus gastos militares para 5% de seu PIB, uma meta fora do alcance da maioria deles.
Com relação à Ucrânia, os europeus temem que Trump os afaste de possíveis negociações para acabar com o conflito com a Rússia e force Kiev a fazer concessões.
Mas as ameaças do magnata republicano se estenderam aos próprios países da UE, como a crescente pressão sobre a Dinamarca para obter o controle da Groenlândia.
Os países europeus admitem a necessidade de aumentar os gastos com defesa, mas não há um acordo geral sobre como fazer isso. Os principais obstáculos se concentram em como financiar esses investimentos.
Além disso, a necessidade de adquirir mais armas levanta a questão de se essas compras devem ser feitas dentro ou fora da UE e qual papel a Otan deve desempenhar no processo.
Assim, está crescendo a pressão para que o Banco Europeu de Investimento (BEI) aloque mais recursos para a indústria de defesa, e até mesmo a ideia de uma dívida conjunta da UE para esse fim está sendo discutida.
Vários países insistem que as compras sejam feitas dentro do bloco, mas isso exige grandes investimentos para fortalecer o setor de defesa europeu.
A presença do primeiro-ministro britânico em uma cúpula voltada para a defesa é altamente simbólica.
A UE e o Reino Unido tentam promover um acordo de segurança que aproximaria o forte setor militar britânico do bloco.
S.Leonhard--VB