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Intensos combates em Goma entre Exército da RDC e rebeldes apoiados por Ruanda
Os combates aumentam nesta segunda-feira (27) em Goma, a principal cidade do leste da República Democrática do Congo (RDC), entre o Exército e os rebeldes do M23, apoiados por tropas de Ruanda.
Foram ouvidos tiros de artilharia pesada e disparos de armas de pequeno porte no centro de Goma, informaram jornalistas da AFP.
Por enquanto, é difícil determinar quais partes da cidade caíram nas mãos dos insurgentes do M23 e dos militares de Ruanda e quais estão sob o controle de Kinshasa.
“Goma está prestes a cair”, lamentou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, nesta segunda-feira, que condenou a ofensiva do M23.
Combatentes do M23 ("Movimento de 23 de março") e mais de 3.500 soldados ruandeses, de acordo com a ONU, entraram em Goma no domingo, que estava sitiada há vários dias, disseram várias fontes das Nações Unidas e de segurança.
“O governo ainda está trabalhando para evitar um massacre e a perda de vidas”, disse o porta-voz do governo, Patrick Muyaya, nesta segunda-feira, na primeira reação oficial desde que o M23 e seus aliados invadiram a cidade.
“Estamos em nossas camas porque estamos com medo”, disse à AFP por telefone uma moradora de Goma, Lucie. “Ouvimos os tiros do lado de fora de nossa casa, não podemos sair".
Nos últimos anos, a rebelião M23, um grupo majoritariamente de etnia tutsi, tomou grandes extensões de território no leste da RDC, alegando lutar para defender a população tutsi.
Apoiados pelas forças de Ruanda, os combatentes do grupo têm se envolvido em confrontos com o Exército congolês e com os capacetes azuis nos arredores de Goma há vários dias.
No fim de semana, 13 capacetes azuis foram mortos.
A batalha por Goma faz parte de um histórico de violência nas últimas décadas no leste da RDC, na fronteira com Ruanda, onde rivalidades regionais, disputas étnicas e conflitos com grupos armados foram exacerbados desde o genocídio de 1994 em Ruanda.
- "Declaração de guerra" -
No domingo, a RDC acusou Ruanda de ter feito uma “declaração de guerra” ao enviar de 500 a 1.000 soldados a mais para seu território neste fim de semana, de acordo com fontes da ONU.
Ruanda respondeu que estava mantendo uma “postura defensiva” porque os combates perto da fronteira “representam uma séria ameaça à segurança e à integridade territorial” do país.
Um porta-voz do Exército de Ruanda disse na segunda-feira que cinco civis foram mortos e 25 pessoas ficaram gravemente feridas em uma cidade ruandesa que faz fronteira com Goma.
Após o avanço do M23 em direção a Goma e a escalada diplomática entre a RDC e Ruanda, o presidente congolês, Felix Tshisekedi, e seu homólogo ruandês, Paul Kagame, participarão de uma reunião de emergência na quarta-feira na Comunidade da África Oriental (CAO).
O Conselho de Paz e Segurança da União Africana também realizará uma “sessão de emergência” sobre a situação na terça-feira.
A RDC solicitou ao Conselho de Segurança da ONU “sanções específicas” contra os líderes militares e políticos de Ruanda e “um embargo total às exportações de todos os minerais rotulados como ruandeses, em particular coltan e ouro”.
A UE pediu que o M23 “interrompesse seu avanço” e que Ruanda “se retirasse imediatamente”. A União Africana pediu “a manutenção firme do cessar-fogo acordado pelas partes” no final de julho.
O Conselho de Segurança da ONU emitiu um comunicado pedindo a retirada das “forças externas” agressivas, sem citar explicitamente quem são elas.
C.Koch--VB