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Milhares de palestinos retornam ao norte de Gaza após acordo entre Israel e Hamas
Dezenas de milhares de palestinos deslocados pela guerra começaram a retornar, nesta segunda-feira (27), para suas casas no norte de Gaza depois que Israel e o Hamas acordaram a libertação de outros seis reféns no marco da trégua.
Esse avanço mantém com vida o frágil cessar-fogo na guerra de 15 meses entre Israel e o movimento islamista, vigente desde 19 de janeiro, e abre a porta para uma nova troca de reféns por presos palestinos.
As imagens desta segunda-feira da AFP mostram diversos habitantes de Gaza, homens, mulheres e crianças, caminhando, carregados de malas ou empurrando carroças, pela estrada costeira para o norte do território palestino.
Longas filas de veículos se formaram em Nuseirat, em virtude da previsão da abertura da passagem para os automóveis, o que deve acelerar ainda mais esse enorme movimento de retorno.
O movimento islamista palestino prometeu, na noite de domingo, libertar três reféns nesta quinta-feira, incluindo Arbel Yehud, uma civil de 29 anos, e Agam Berger, de 20, sequestrada enquanto cumpria serviço militar perto de Gaza. E mais três no sábado.
"Após intensas e determinadas negociações (...), Israel recebeu do Hamas uma lista com a situação de todos os reféns" vivos ou mortos que podem ser liberados na primeira fase do acordo, indicou o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado.
O governo israelense disse nesta segunda-feira que oito dos reféns que poderiam ser libertados nas próximas semanas estão mortos, de acordo com o documento recebido do movimento islamista, que "coincide com o dos serviços de inteligência israelenses", disse um porta-voz do governo.
- Felizes e tristes -
Milhares de palestinos retornam ao norte de Gaza com sentimentos contraditórios.
"É uma sensação incrível voltar para casa, se ainda houver uma, para sua família, para seus entes queridos", diz Ibrahim Abu Hassera, no meio da multidão.
"Estamos felizes, mas tristes ao mesmo tempo, pois perdemos muitos familiares. Meu filho é um mártir", diz uma avó, Entisar Al Saeedi.
De acordo com o governo de Gaza, serão necessárias 135.000 barracas e caravanas na Cidade de Gaza e na região norte, onde mais de 90% dos edifícios foram destruídos após meses de combates e bombardeios israelenses.
A guerra também destruiu "as infraestruturas públicas, os sistemas de tratamento de águas residuais e o abastecimento de água potável, assim como a gestão pública de resíduos", disse Achim Steiner, chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O retorno dos deslocados é uma "vitória" contra os "planos de ocupação" de Gaza e o "deslocamento" forçado de palestinos, disse o Hamas.
"É uma resposta a todos aqueles que sonham em deslocar nosso povo", acrescentou seu aliado, a Jihad Islâmica.
- "Nós não iremos embora da Palestina" -
O Hamas, o presidente da Autoridade Palestina e diversos países árabes denunciaram no domingo a proposta do presidente americano, Donald Trump, de "limpar" a Faixa de Gaza, enviando seus habitantes ao Egito e à Jordânia.
Trump comparou a Faixa de Gaza, devastada pela guerra e submersa em uma grave crise humanitária, a um "local de demolição".
"Gostaria que o Egito recebesse pessoas e gostaria que a Jordânia recebesse pessoas", declarou o mandatário americano.
No entanto, tanto Jordânia, que acolhe atualmente 2,3 milhões de refugiados palestino, como o Egito rejeitaram qualquer projeto de "deslocamento forçado" de palestinos.
A Liga Árabe denunciou a iniciativa como "limpeza étnica".
"Dissemos a Trump e ao mundo inteiro que nós não iremos embora da Palestina nem de Gaza, aconteça o que acontecer", disse à AFP Rashad al Naji, um deslocado da Cidade de Gaza.
- Trégua em três fases -
Um total de 251 pessoas foram sequestradas naquele dia. Delas, 87 seguem cativas, das quais 34 morreram, segundo o Exército.
A ofensiva lançada em represália por Israel na sitiada Faixa de Gaza deixou pelo menos 47.306 mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas.
A primeira fase do acordo de cessar-fogo deve durar seis semanas e permitirá a liberação de um total de 33 reféns contra 1.900 prisioneiros palestinos.
Nesta primeira fase está previsto a negociação das modalidades da segunda, que deve permitir a libertação dos últimos reféns, antes da última etapa, que deve iniciar o processo de reconstrução de Gaza e a devolução dos corpos dos reféns que morreram em cativeiro.
N.Schaad--VB