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Cidade da RDC está 'prestes a cair' nas mãos de rebeldes
Um intenso fogo de artilharia foi registrado nesta segunda-feira (27) em Goma, a principal cidade do leste da República Democrática do Congo (RDC), que está "prestes a cair" para insurgentes do M23 apoiados pelas tropas ruandesas.
A ministra das Relações Exteriores da RDC, Thérèse Kayikwamba Wagner, denunciou no domingo, em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a entrada de mais tropas ruandesas no território de seu país em apoio aos rebeldes do M23, uma ação que descreveu como uma "declaração de guerra".
Como parte da pressão internacional pelo fim dos combates em Goma, o Quênia anunciou no domingo que o presidente da RDC, Felix Tshisekedi, e o seu contraparte de Ruanda, Paul Kagame, concordaram em participar de uma reunião de cúpula que será realizada nos próximos dois dias.
Combatentes do M23 e mais de 3.500 soldados ruandeses, de acordo com a ONU, entraram em Goma no domingo, que estava sitiada há vários dias, disseram várias fontes das Nações Unidas e de segurança.
Jornalistas da AFP ouviram várias explosões nesta segunda-feira, quando o caos tomou conta da cidade, capital da província de Kivu do Norte.
"Goma está prestes a cair", lamentou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, nesta segunda-feira, condenando a ofensiva do M23.
Em meio ao caos, houve uma "fuga em massa" em uma prisão que abrigava 3.000 detentos. A instalação foi "incendiada" e há vários "mortos", informou à AFP uma fonte de segurança que não especificou o número de vítimas.
Nos últimos anos, a rebelião M23, um grupo majoritariamente de etnia tutsi, tomou grandes extensões de território no leste da RDC, alegando lutar para defender a população tutsi.
Apoiados pelas forças de Ruanda, os combatentes do grupo têm se envolvido em confrontos com o Exército congolês e com os capacetes azuis nos arredores de Goma há vários dias.
No fim de semana, 13 capacetes azuis foram mortos em combates com o M23.
A batalha por Goma faz parte de um histórico de violência que tem assolado o leste do país nas últimas décadas com rivalidades regionais, disputas étnicas e conflitos com grupos armados.
O Conselho de Segurança da ONU emitiu um comunicado no domingo pedindo a retirada das "forças externas" agressivas, sem nomear explicitamente quem são elas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu no domingo que as forças de Ruanda se retirassem do território da RDC e cessassem o apoio ao grupo rebelde M23.
A chancelaria de Ruanda afirma que os combates perto da fronteira representam "uma grave ameaça à segurança e à integridade territorial" de seu país e exigem "uma postura defensiva".
- Retirada de funcionários da ONU -
Entre 500 e 1.000 soldados ruandeses chegaram no domingo para ajudar as milícias do M23 posicionadas perto de Goma, segundo fontes da ONU.
O chanceler congolês exigiu que o Conselho de Segurança aplicasse "sanções específicas" contra "membros identificados da cadeia de comando das forças armadas ruandesas" e "os responsáveis políticos por esta agressão".
Também pediu um "embargo total às exportações de todos os minerais rotulados como ruandeses, em particular coltan e o ouro".
O Conselho de Segurança da ONU é a única instituição da organização com o poder de impor resoluções vinculantes.
"Funcionários da ONU e suas famílias que estavam trabalhando na RDC" estão sendo retirados de Goma e ônibus estão na fronteira estão "esperando" para transportá-los para a capital de Ruanda, Kigali, onde pegarão voos para seus respectivos países, informou a emissora estatal ruandesa RBA na rede X.
O.Schlaepfer--VB