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Milhares de palestinos começam a retornar ao norte de Gaza após acordo entre Israel e Hamas
Dezenas de milhares de palestinos deslocados pela guerra começaram a retornar, nesta segunda-feira (27), para suas casas no norte de Gaza depois que Israel e o Hamas acordaram a liberação de outros seis reféns no marco da trégua.
Esse avanço mantém com vida o frágil cessar-fogo na guerra de 15 meses entre Israel e o movimento islamista, vigente desde 19 de janeiro, e abre a porta para uma nova troca de reféns por presos palestinos.
As imagens desta segunda-feira da AFP mostram diversos habitantes de Gaza, homens, mulheres e crianças, caminhando, carregados de malas ou empurrando carroças, pela estrada costeira para o norte do território palestino.
Também se formaram longas filas de veículos em Nuseirat, em virtude da previsão da abertura da passagem para os automóveis, o que deve acelerar ainda mais esse enorme movimento de retorno.
"Após intensas e determinadas negociações (...), Israel recebeu do Hamas uma lista com a situação de todos os reféns" vivos ou mortos que podem ser liberados na primeira fase do acordo, indicou o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado.
O movimento islamista palestino também se comprometeu a libertar três reféns na sexta-feira, incluindo Arbel Yehud, uma civil, que segundo Israel deveria ter sido libertada na última troca, e outros três no sábado.
Isso, acrescentou, permitiu que os palestinos conseguissem retornar às suas casas no norte de Gaza a partir da manhã desta segunda-feira.
"É uma sensação incrível voltar para casa, se é que ainda há uma, com sua família, teus entes queridos", disse o palestino Ibrahim Abu Hassera, entre a multidão.
Esse retorno dos deslocados é uma "vitória" contra os "planos de ocupação" de Gaza e o "deslocamento" forçado dos palestinos, declarou o Hamas nesta segunda-feira.
É "uma resposta a todos os que sonham em voltar ao nosso povoado", acrescentou seu aliado, a Jihad Islâmica.
- "Nós não iremos embora da Palestina" -
O Hamas, o presidente da Autoridade Palestina e diversos países árabes denunciaram no domingo a proposta do presidente americano, Donald Trump, de "limpar" a Faixa de Gaza, enviando seus habitantes ao Egito e à Jordânia.
Trump comparou a Faixa de Gaza, devastada pela guerra e submersa em uma grave crise humanitária, a um "local de demolição".
"Gostaria que o Egito recebesse pessoas e gostaria que a Jordânia recebesse pessoas", declarou o mandatário americano.
No entanto, tanto Jordânia, que acolhe atualmente 2,3 milhões de refugiados palestino, como o Egito rejeitaram qualquer projeto de "deslocamento forçado" de palestinos.
A Liga Árabe alertou contra as "tentativas que buscam desterritorializar palestinos de sua terra", qualificando-as como "limpeza étnica".
"Dissemos a Trump e ao mundo inteiro que nós não iremos embora da Palestina nem de Gaza, aconteça o que acontecer", disse à AFP Rashad al Naji, um deslocado da Cidade de Gaza.
- Trégua em três fases -
A guerra em Gaza começou com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 que deixou 1.210 mortos do lado israelense, em sua maioria civis, segundo uma contagem baseada em dados oficiais.
Um total de 251 pessoas foram sequestradas naquele dia. Delas, 87 seguem cativas, das quais 34 morreram, segundo o Exército.
A ofensiva lançada em represália por Israel na sitiada Faixa de Gaza deixou pelo menos 47.306 mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas.
A primeira fase do acordo de cessar-fogo deve durar seis semanas e permitirá a liberação de um total de 33 reféns contra 1.900 prisioneiros palestinos.
Nesta primeira fase está previsto negociar as modalidades da segunda, que deve permitir a libertação dos últimos reféns, antes da última etapa, que deve iniciar o processo de reconstrução de Gaza e a devolução dos corpos dos reféns que morreram em cativeiro.
N.Schaad--VB