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EUA reforça segurança na fronteira com México antes da posse de Trump
Agentes dos Estados Unidos colocaram, nesta sexta-feira (17), arame farpado nos cruzamentos fronteiriços com a mexicana Ciudad Juárez (norte) e realizaram exercícios de segurança antes da posse presidencial de Donald Trump na próxima segunda-feira.
A mobilização de agentes do Escritório de Alfândega e Proteção Fronteiriça (CBP, na sigla em inglês) se concentrou na ponte internacional Paso del Norte/Santa Fe, que liga a cidade mexicana com El Paso, no Texas, observou uma jornalista da AFP.
O fluxo de veículos na fronteira esteve detido por 40 minutos, enquanto os funcionários colocavam blocos de concreto e arame farpado.
Ciudad Juárez é uma das principais portas de entrada aos Estados Unidos para migrantes que fogem da pobreza, da violência ou da instabilidade política em seus países.
Segundo o escritório do CBP em El Paso, esses exercícios começaram em 2019 e têm como objetivo preparar os agentes "caso haja um incidente que requer resposta e ação".
Mas, segundo comerciantes da área, essas manobras se multiplicaram na medida em que se aproxima o início do governo Trump, que ameaçou com a maior deportação de migrantes sem documentos na história dos Estados Unidos.
"É o segundo fechamento que presencio esta semana", disse à AFP Yadira Martínez, usuária da passagem internacional.
Esta localidade é também um dos pontos habilitados pelos Estados Unidos para que migrantes que solicitem asilo obtenham uma audiência através do aplicativo de celular CBP One, o que lhes permite ingressar legalmente e contar com permissões de residência e trabalho enquanto aguardam resposta.
Este mecanismo, que Trump promete eliminar, contribuiu para reduzir as passagens clandestinas, segundo o governo do mandatário em fim de mandato Joe Biden.
Diante da possibilidade de uma deportação em massa, as autoridades mexicanas vão instalar no fim de janeiro albergues temporários para receber seus cidadãos.
Em Tijuana (noroeste), fronteiriça com San Diego, a prefeitura declarou esta semana uma "emergência" para liberar fundos que permitam atender à eventual chegada de deportados.
O governo da presidente de esquerda Claudia Sheinbaum advertiu que receberá somente deportados mexicanos, mas o grosso dos migrantes é de venezuelanos e centro-americanos.
Durante o primeiro governo Trump (2017-2021), o México aceitou receber deportados de outras nacionalidades e lhes dar opções de permanecer no país em troca de que os Estados Unidos não impusessem tarifas às suas exportações.
Segundo analistas, Sheinbaum poderia acordar algo semelhante com Trump para desativar as ameaças renovadas do magnata de taxar os produtos mexicanos.
M.Betschart--VB