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Biden alerta que a 'alma' dos EUA está em jogo com volta de Trump
A "alma" dos Estados Unidos ainda está em jogo, adverte o presidente Joe Biden, que fará seu discurso de despedida à nação nesta quarta-feira (15), antes do retorno de Donald Trump à Casa Branca.
O democrata de 82 anos fará seu discurso às 20H00 locais (22h de Brasília), em horário nobre, no Salão Oval da Casa Branca.
Antes do pronunciamento, ele publicou uma carta para seus compatriotas americanos na qual criticou o republicano de 78 anos, sem mencioná-lo.
"Eu me candidatei à Presidência porque acreditava que a alma da América [Estados Unidos] estava em jogo. A própria natureza de quem somos estava em jogo. E esse continua sendo o caso", diz Biden na carta.
"A história está em suas mãos. O poder está em suas mãos. A ideia dos Estados Unidos está em suas mãos. Só temos que manter a fé e lembrar quem somos", acrescenta.
De acordo com Biden, os Estados Unidos estão mais fortes do que há quatro anos, quando definharam, segundo ele, na esteira do primeiro mandato de Trump, da pandemia de covid-19 e do que ele chama de "o pior ataque" à "democracia desde a guerra civil".
Biden tomou posse poucos dias depois do ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio em Washington por uma multidão de apoiadores de Trump que tentavam anular sua derrota nas eleições do ano anterior.
Ele não citou o nome de Trump, mas suas palavras estão de acordo com alguns de seus discursos anteriores, nos quais explicou que concorreu às eleições de 2020 porque a "alma" dos Estados Unidos estava em perigo por causa de Trump e seus apoiadores.
- 'O privilégio da minha vida' -
Biden acrescentou que pediu à Casa Branca que também divulgasse uma longa lista do que ele disse serem as conquistas de seu governo em questões como economia, saúde ou clima.
Ele disse que os Estados Unidos têm a "economia mais forte do mundo" e estão reduzindo a inflação, embora o aumento de preços tenha desempenhado um papel importante na derrota eleitoral dos democratas.
O presidente passou grande parte de seus últimos dias no cargo tentando exaltar seu legado.
Biden obteve uma vitória nesta quarta-feira com o acordo entre Israel e o grupo islamista palestino Hamas por um cessar-fogo e pela libertação de reféns em Gaza, pelo qual o democrata afirmou ter pressionado durante quase um ano e meio.
Trump, cujo assessor para o Oriente Médio participou das negociações, também atribuiu a si próprio o mérito pelo acordo "épico".
O legado de Biden ficou ofuscado pela decisão de se candidatar a um segundo mandato, apesar de sua idade.
O democrata foi forçado a abandonar a corrida eleitoral após sua desastrosa participação em um debate contra Trump no mês de junho.
Em uma entrevista de despedida publicada nesta quarta no Washington Post, a primeira-dama, Jill Biden, criticou o Partido Democrata por pressionar seu marido a se retirar da disputa.
"Digamos simplesmente que me decepcionou como tudo se desenvolveu", disse.
Apesar de tudo, Biden se considera sortudo.
Foi o "privilégio da minha vida servir a esta nação por mais de 50 anos", disse o presidente.
O discurso de Biden à nação foi precedido, há dois dias, por um discurso sobre política externa no qual o democrata afirmou ter deixado os Estados Unidos mais fortes no cenário mundial e um dia depois de tirar Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo para conseguir a libertação de prisioneiros políticos.
O discurso de despedida se tornou uma tradição para os presidentes dos Estados Unidos.
George Washington, o primeiro presidente, fez o mais famoso deles em 1796, na forma de uma carta, renunciando a um terceiro mandato e pedindo união nacional.
A tradição foi revivida no século XX com o advento do rádio e da televisão, e Harry Truman foi o primeiro a fazê-lo no Salão Oval em 1953.
S.Spengler--VB