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Milhares de palestinos comemoram em Gaza o anúncio de trégua com Israel
Milhares de palestinos comemoraram, na noite desta quarta-feira (15), em toda a Faixa de Gaza, a notícia de um acordo de trégua entre Israel e o Hamas, após mais de quinze meses de guerra.
A conclusão deste acordo, negociado com a mediação de Catar, Egito e Estados Unidos, foi anunciada primeiro por uma fonte próxima às negociações e confirmada em seguida pelo primeiro-ministro catari, Mohammed bin Abdulrahman al Thani.
Em Deir al Balah, no centro do pequeno território, centenas de pessoas manifestaram rapidamente sua alegria em frente ao hospital Mártires de Al Aqsa, aonde chegaram muitos mortos desde o início da guerra. As pessoas dançavam, tiravam fotos e agitavam bandeiras palestinas.
Em outras localidades também houve concentrações espontâneas, segundo jornalistas da AFP no local e o relato de testemunhas contactadas por telefone, antes de o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, relativizar que ainda restam alguns detalhes a fechar no acordo, que poderia ser concluído esta noite.
Segundo o primeiro-ministro do Catar, a trégua vai entrar em vigor no próximo domingo (19).
Durante a primeira etapa do pacto, de 42 dias, serão libertados 33 reféns sequestrados no ataque do Hamas em território israelense, que desencadeou a guerra em 7 de outubro de 2023.
Em Deir al Balah, um homem e um jornalista com colete à prova de balas eram carregados nos ombros por uma multidão, enquanto o repórter entrevistava o primeiro por cima da multidão exultante.
Com a aproximação de uma ambulância, muitos repetiam em coro "Allahu Akbar" ("Deus é grande!"), com um sorriso permanente nos lábios.
- "Vou ao cemitério" -
Muitas crianças, algumas com o semblante um pouco perdido em meio a tanta agitação, tampouco perderam a festa, perambulando entre os adultos.
Um grupo na faixa dos dez anos entoava um cântico popular de resistência, enquanto era filmado por outros com seus celulares.
Randa Samih, uma deslocada originária da Cidade de Gaza, contou por telefone como o anúncio foi sentido no campo de Nuseirat e mal conseguia conter a emoção.
"Não consigo acreditar que este pesadelo que dura mais de um ano vai começar a ter fim", desabafou a palestina, de 45 anos. "Perdemos tanta gente, perdemos tudo".
"Nós os enterramos no cemitério de Deir al Balah sem uma sepultura adequada. Vamos construir novas tumbas, nas quais vamos inscrever seus nomes", explicou.
Abdelrakim, morador de Gaza de 27 anos, disse sentir "alegria apesar de tudo o que perdemos".
"Vamos voltar à vida. Não consigo acreditar que por fim vou ver novamente minha esposa e meus filhos, que partiram para o sul há mais de um ano", acrescentou, garantindo esperar "que os deslocados sejam em breve autorizados a voltar" para suas casas.
Em Khan Yunis, no sul da Faixa, centenas de pessoas se reuniram, cantando ao som de tambores, segundo um fotógrafo da AFP.
J.Sauter--VB