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Kamala pede que eleitores escolham entre esperança e caos
Kamala Harris disse nesta terça-feira (29) que está nas mãos dos americanos escrever "o próximo capítulo" escolhendo entre um futuro “cheio de possibilidades” e “o caos e a divisão”.
Deve-se escolher entre "um país arraigado na liberdade para cada americano ou governado pelo caos e pela divisão", disse a candidata democrata, que alertou para a busca de Donald Trump por um "poder sem controle", em discurso no local onde o republicano se dirigiu aos seus apoiadores antes do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
"Esse não é um candidato à Presidência que está pensando em como melhorar a vida de vocês. É uma pessoa instável, obcecada pela vingança, consumida pelo ressentimento e em busca de um poder sem controle", afirmou Kamala para a multidão, que agitava bandeiras.
“Cada um de vocês tem o poder de virar a página e começar a escrever o próximo capítulo da história mais extraordinária já contada”, enfatizou a candidata democrata.
Ao sul da cerca da Casa Branca, na Elipse, parque onde se instala a tradicional árvore de Natal, a ex-promotora afirmou que Trump "pretende usar o Exército" contra "os americanos que simplesmente não concordam com ele", a quem chama de "o inimigo interno".
“No primeiro dia, se Donald Trump for eleito, ele entrará nesse gabinete com uma lista de inimigos. Eu entrarei com uma lista de tarefas", afirmou Kamala, ressaltando que sua prioridade é baixar os preços.
- 'Nação de imigrantes' -
A imigração ilegal na fronteira com o México preocupa os americanos, embora muito menos do que a economia, e Kamala sabe disso. Ela prometeu hoje trabalhar “com democratas e republicanos para transformar em lei o projeto de segurança fronteiriça que Donald Trump matou”.
“Quando eu for presidente, expulsaremos rapidamente aqueles que chegarem aqui ilegalmente, processaremos os cartéis e daremos à patrulha fronteiriça o apoio de que tanto necessita", afirmou a democrata. “Ao mesmo tempo, temos que reconhecer que somos uma nação de imigrantes.”
Kamala prometeu trabalhar com o Congresso para aprovar uma reforma migratória que inclua uma via para a cidadania para imigrantes como “os trabalhadores agrícolas” e “os dreamers”, aqueles que chegaram aos Estados Unidos quando crianças.
“Se me derem a oportunidade de lutar em seu nome, não há nada no mundo que bloqueie o meu caminho", afirmou a candidata, diante de uma plateia de 75 mil pessoas, segundo estimativas da equipe de campanha.
Kamala encerrou seu discurso com otimismo: os Estados Unidos são “uma nação suficientemente grande para abrigar todos os nossos sonhos, suficientemente forte para resistir a qualquer fratura ou fissura entre nós, e suficientemente corajosa para imaginar um futuro cheio de possibilidades”.
- 'Festival de amor' -
Quando Kamala entrou na campanha, em julho, após a desistência do presidente Joe Biden, ela pisou no acelerador, permitindo que o partido recuperasse o fôlego e assumisse a dianteira nas pesquisas nacionais. Mas, com o passar das semanas, sua vantagem diminuiu.
Os dois candidatos estão agora igualados nas pesquisas, com um empate técnico nos sete estados-chave que decidirão o resultado das eleições, nas quais mais de 50 milhões de pessoas já votaram antecipadamente.
Trump compareceu à noite a Allentown, Pensilvânia, talvez o mais importante desses estados decisivos, que conta com meio milhão de porto-riquenhos, furiosos com os republicanos desde que um humorista os insultou durante um comício de Trump no último domingo.
"Há uma ilha flutuante de lixo no meio do oceano neste momento, acho que se chama Porto Rico", disse o comediante Tony Hinchcliffe durante sua participação no evento.
Em ato na Flórida, Trump chamou hoje esse comício de "festival de amor". "Os políticos que fazem isso há muito tempo - 30, 40 anos - disseram que nunca houve um ato tão bonito. Foi como um festival do amor, um absoluto festival do amor, e foi uma honra para mim participar", disse o ex-presidente.
Trump prometeu "lutar como um louco nos próximos sete dias". "Vamos salvar os Estados Unidos, não temos outra opção", disse, acusando sua adversária de contar mentiras.
À noite, na Pensilvânia, o candidato republicano garantiu que "ninguém ama a comunidade latina e a de Porto Rico" mais do que ele, e lhes prometeu "o melhor futuro".
O medo de que o caos de quatro anos atrás se repita e de que Trump volte a negar o resultado em caso de derrota paira sobre estas eleições. Na Pensilvânia, o republicano repetiu que os Estados Unidos se tornaram uma “lixeira” devido ao fluxo de imigrantes, e sugeriu que não há outra forma de os democratas ganharem as eleições com seu programa eleitoral sem “trapacearem”.
A.Ruegg--VB