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Gangues do Haiti se adaptam à força multinacional
Trincheiras, drones, arsenais, “escudos humanos”... Os grupos criminosos do Haiti se adaptam à presença da missão multinacional de apoio à polícia, aponta um relatório da ONU divulgado nesta segunda-feira (28).
O Haiti registra “níveis recorde de violência entre gangues”, com mais de 3.600 homicídios e mais de 1.100 sequestros ocorridos entre janeiro e junho, segundo o relatório anual de especialistas do Conselho de Segurança da ONU.
"De acordo com as estimativas, 85% da área metropolitana de Porto Príncipe se encontra sob a influência ou o controle de gangues", indicaram os especialistas, ressaltando que elas adaptaram sua estratégia à chegada da Missão Multinacional de Apoio à Segurança (MMAS), implementada no último verão.
Os grupos criminosos “concentram em grande parte seus esforços em aumentar a proteção do seu território", destaca o relatório. “Cavam trincheiras e erguem barricadas, usam drones para seguir a movimentação da polícia, preparam coquetéis molotov” e armazenam armas e munição, que filmam para “intimidar” autoridades.
Decididos a "fazer descarrilar a transição política" iniciada com a demissão do primeiro-ministro Ariel Henry, na primavera, alguns membros de gangues também deixaram Porto Príncipe para aumentar seu território, a fim de crescer sua receita procedente de atividades criminosas, segundo os especialistas.
Desde o começo do ano, muitos grupos também usam "a população como escudo humano”. A nova tática consiste em “impedir a saída de civis” de suas áreas de influência e “executar sumariamente os que tentam fugir”.
Frente à chegada da MMAS, que conta com 400 homens, os grupos lançaram “uma campanha ativa de recrutamento” (para chegar a cerca de 5.500 membros), em particular de crianças, que já representam até 50% dos seus integrantes, segundo o Unicef.
Apesar do endurecimento do embargo de armamentos pelo Conselho de Segurança, “o tráfico de armas não para” e “as gangues obtêm cada vez mais armas de grosso calibre”, adverte o relatório, que destaca a capacidade desses grupos de “definir, coordenar e executar estratégias”.
Os especialistas descreveram, em particular, a aliança "Viv Ansanm (Viver Juntos)", formada em fevereiro pelas coalizões rivais G9 e G-Pèp para tirar Ariel Henry do poder, mas ressaltaram que o porta-voz mais conhecido dessa aliança, Jimmy Cherizier, conhecido como “Barbecue”, perdeu influência desde então.
D.Schlegel--VB