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Biden critica Trump no jantar de correspondentes da Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, zombou de si mesmo, mas aproveitou para fazer críticas ácidas ao rival eleitoral, Donald Trump, no sábado (27), durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, ao mesmo tempo que do lado de fora do evento vários manifestantes protestavam o conflito em Gaza.
Sob uma segurança rígida, os convidados de alto nível, entre jornalistas e celebridades como Chris Pine ou Molly Ringwald, chegaram ao evento em trajes de gala, enquanto mais de 100 manifestantes protestavam diante do hotel Hilton de Washington com gritos de "vergonha" e "vocês têm sangue nas mãos", entre outras frases.
Durante o evento, Gaza não foi o centro dos discursos de Biden e do comediante da noite, Colin Jost, do programa "Saturday Night Live", que aproveitou para fazer piadas com o presidente, de sua idade até os tropeços na escada de embarque do avião presidencial Air Force One.
"Gostaria de salientar que já passa das 22h00, 'Joe Dorminhoco' ainda está acordado, enquanto Donald Trump passou a última semana adormecendo no tribunal todas as manhãs", disse Jost, em referência ao comparecimento do ex-presidente ao julgamento histórico que começou na semana passada em Nova York.
Biden, 81 anos, zombou de si e da imprensa. Ele também mirou Trump, seu adversário de 77 anos nas eleições presidenciais de 5 de novembro: "A idade é a única coisa que temos em comum. Minha vice-presidente me apoiou.
Com tom mais sério, o presidente alertou que a retórica de Trump é um perigo, em particular depois do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
A presença de Biden no jantar é parte de uma longa tradição, na qual o presidente americano e a imprensa se reúnem para fazer, em tom descontraído, críticas e piadas sobre o líder do país.
O banquete deste ano aconteceu após meses de protestos contra o democrata devido ao apoio dos Estados Unidos à ofensiva militar israelense em Gaza contra o movimento islamista Hamas. O presidente ouviu gritos como "Joe, genocida" e fortes apelos por uma trégua cessar-fogo.
Os manifestantes penduraram uma enorme bandeira palestina em uma janela do último andar do hotel, enquanto outros se reuniram na rua com cartazes.
Esta semana, mais de duas dezenas de jornalistas palestinos publicaram uma carta aberta pedindo que os colegas americanos boicotassem o jantar. "É inaceitável permanecer em silêncio", afirmava o texto.
Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York, ao menos 97 repórteres, em sua imensa maioria (92) palestinos, foram assassinados desde o início da guerra, em 7 de outubro. Outros 16 ficaram feridos.
O Departamento de Polícia Metropolitana de Washington declarou à AFP, que estava "preparado para facilitar qualquer manifestação segura e pacífica", mas que os convidados também teriam acesso ao evento.
O jantar, organizado desde 1920, mas que foi interrompido durante o governo Trump, coincidiu este ano com o movimento de protesto contra a situação em Gaza em universidades de todo o país. Centenas de pessoas foram detidas nas manifestações.
T.Germann--VB