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Trump responsabiliza Biden por 'banho de sangue fronteiriço' cometido por migrantes
Donald Trump denunciou, nesta terça-feira (2), um "banho de sangue fronteiriço" do presidente Joe Biden, com "saques, estupros e massacres" cometidos por migrantes em situação ilegal.
O ex-presidente republicano e candidato às eleições presidenciais de novembro, voltou a usar o termo que havia causado comoção há duas semanas, quando disse que se não vencer o pleito, haverá "um banho de sangue" no país.
Os democratas o acusaram na ocasião de incentivar a "violência política", mas sua equipe de campanha explicou que ele se referia à devastação econômica, visto que falava da possível perda de postos de trabalho.
Nesta terça, ele usou a expressão para se referir à crise migratória, um de seus temas favoritos de campanha.
"Eu me apresento hoje diante de vocês para declarar que o banho de sangue fronteiriço de Joe Biden (...) está destruindo o nosso país", declarou durante um comício apocalíptico em Grand Rapids, no Michigan, um estado-chave para as eleições.
"Vai acabar no dia que tomar posse", acrescentou, dando como certa a sua vitória, embora as pesquisas não sejam conclusivas.
Enquanto Trump discursava, o Comitê Nacional Republicano lançava a página web BidenBloodBath.com, alertando para uma "invasão", supostamente incitada por Biden.
São "animais", disse Trump, referindo-se aos migrantes em situação irregular, aos quais acusou de ter assassinado várias mulheres.
Uma delas é a adolescente Ruby García, assassinada - segundo ele - por "um monstro que tinha sido deportado do país" e "voltou".
"Com o corrupto Joe Biden, cada estado é agora um estado fronteiriço. Cada cidade é agora uma cidade fronteiriça. Porque Joe Biden trouxe a carnificina, o caos e a matança de todo o mundo", acusou.
Trump prometeu pôr fim ao "saque, ao estupro, à matança e à destruição" com a deportação em massa de migrantes em situação ilegal.
As travessias ilegais na fronteira entre o México e os Estados Unidos alcançaram números recorde durante o mandato de Biden, mas os crimes violentos caíram em todo o país.
Com o comício em Michigan, e depois no Wisconsin, dois estados considerados chaves para as eleições, Trump, de 77 anos, tenta dissipar qualquer especulação sobre a redução de seu ritmo.
- Estados decisivos -
O comício em Michigan ocorreu no local onde Trump encerrou sua campanha em 2016, quando o republicano surpreendeu, vencendo no estado e levando as chaves da Casa Branca frente a Hillary Clinton.
Em 2020, Trump voltou a Grand Rapids. Mas naquele ano, Michigan preferiu Biden. O democrata conseguiu recuperar seus eleitores brancos suburbanos, os trabalhadores sindicalizados e a numerosa comunidade negra.
Para as eleições de novembro, as pesquisas, que devem ser recebidas com cautela, mostram Donald Trump como o vencedor no estado.
Mas o desenlace das eleições ainda é um mistério.
Em 2016, Trump também conseguiu a façanha no Wisconsin frente a Hillary. Mas Biden soube inclinar o estado a favor dos democratas em 2020.
Estes estados, que se inclinam de um partido para outro nas eleições, são decisivos nas presidenciais.
O sistema eleitoral americano lhes dá um poder enorme e podem chegar a definir o resultado da votação nacional.
- Fundos -
O presidente octogenário visitou estes estados nas últimas semanas: esteve em Michigan, Wisconsin, Arizona, Nevada, Carolina do Norte, Pensilvânia...
O democrata também arrecadou 25 milhões de dólares (aproximadamente R$ 125 milhões) durante uma festa na quinta-feira, um dinheiro muito valioso em um país onde as eleições são vencidas com bilhões de dólares.
Trump vai organizar um evento de arrecadação de fundos em sua luxuosa casa na Flórida no próximo sábado, quando espera superar o montante obtido por Biden.
O republicano quer frear qualquer possível dinâmica do adversário democrata antes de se ver novamente envolvido com seus problemas legais.
Seu primeiro julgamento penal começa em 15 de abril. Poderão seguir-se outros na Flórida, Geórgia ou na capital, Washington.
F.Stadler--VB