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Violência política volta a assolar um Equador dominado pelo tráfico de drogas
O assassinato a tiros de uma jovem prefeita no Equador reavivou o fantasma da violência política que deixou inúmeras vítimas, incluindo um candidato presidencial, em um país dominado pelo narcotráfico.
A prefeita da cidade costeira de San Vicente (oeste), Brigitte García, foi encontrada morta no domingo (24) ao lado do diretor de Comunicação do município, Jairo Loor, dentro de um veículo alugado.
O homicídio da enfermeira de 27 anos, a mais jovem a liderar uma prefeitura equatoriana, entrou para a longa lista de políticos assassinados desde as campanhas eleitorais de 2023.
Segundo as primeiras investigações, os pistoleiros a atacaram de dentro do veículo.
"Gostaria que lembrassem de mim como uma jovem que sempre quis o bem-estar de seu povo. Que muitos jovens sigam meus passos de me envolver na política desde cedo", disse ao jornal El Universo em julho, quando assumiu o cargo.
O número de prefeitos assassinados em um ano subiu para três, todos na mesma província de Manabí, no centro do Pacífico equatoriano e uma das áreas estratégicas do tráfico de drogas para os Estados Unidos e Europa.
O caso de violência política mais marcante foi o do candidato presidencial centrista Fernando Villavicencio, baleado por sicários colombianos em agosto do ano passado.
Os ataques das facções do tráfico de drogas persiste, apesar da pressão militar ordenada pelo governo, que mantém o país em estado de exceção há quase 90 dias.
Promotores, jornalistas e policiais também estão entre as vítimas das organizações locais ligadas aos cartéis do México e da Colômbia.
É "um grande risco (...) ser um funcionário público, especialmente [no caso] de eleição popular", disse à AFP Fernando Carrión, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) de Quito.
- Fim de semana violento -
A prefeita era natural de Manabí, berço da gangue chamada "Los Choneros" - uma das maiores do país.
Embora as autoridades não tenham revelado a causa do crime, tudo "indica que são ações do crime organizado e terrorismo urbano", disse à AFP o coronel aposentado Mario Pazmiño, ex-chefe de inteligência do Exército.
Para o analista, a política "é afetada" pelo narcotráfico, que "também tem interesses" nas esferas do poder.
"Rejeitamos totalmente este ataque à democracia equatoriana", disse na segunda-feira (25) o embaixador dos Estados Unidos, Michael Fitzpatrick, em um ato militar liderado por Noboa em Latacunga.
O diplomata fez um apelo "para que se ponha fim à violência política e criminal" e comprometeu-se "com a segurança e a justiça duradoura do Equador".
O tráfico de drogas atinge alguns políticos, juízes e promotores equatorianos, investigados em uma rede de corrupção e máfias.
- "Não nos intimidam" -
Diante da série de crimes dos últimos dias, o presidente Noboa mantém seu firme discurso contra as gangues. "Saibam que não nos intimidam, que estamos unidos para enfrentá-los e vencê-los", afirmou o líder na segunda-feira.
Em meio à onda de violência, Noboa declarou o país em estado de conflito armado interno e chamou cerca de 20 organizações de tráfico de drogas como "terroristas" e "beligerantes".
Sob um estado de exceção decretado em janeiro, o presidente mobilizou as Forças Armadas nas ruas e nas prisões. Algumas organizações de direitos humanos denunciam abusos no uso da força.
Noboa, o primeiro a usar colete à prova de balas na campanha, disse ter recebido "ameaças" contra ele e sua família.
"Esta luta não terminou, apenas começou, e também nos alerta e nos dá uma clara informação de que também existe narcoterrorismo dentro das instituições públicas", afirmou o governante de 36 anos, o mais jovem da história do Equador.
Segundo o governo, sua ofensiva contra o tráfico de drogas reduziu a taxa de homicídios de 28 por dia, na primeira semana de janeiro, para 11 mortes diárias, depois de duas semanas.
O Equador era um país tranquilo até alguns anos atrás, no entanto, a taxa de homicídios subiu de 6 para o recorde de 46 por cada 100.000 habitantes, entre 2018 e 2023.
R.Kloeti--VB