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Combates se intensificam em Gaza e Guterres pede o fim do 'pesadelo' da guerra
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu neste domingo (24) a Israel que elimine os "obstáculos" à entrada de ajuda humanitária em Gaza e um cessar-fogo imediato para acabar com o "pesadelo" depois de mais de cinco meses e meio de guerra.
Bombardeios e combates assolam implacavelmente este território palestino, onde a população está à beira da fome devido ao cerco decretado por Israel no início do conflito com o movimento islamista Hamas.
A nível diplomático, não há progressos tangíveis nas negociações para uma trégua, apesar do aumento da pressão dos Estados Unidos, principal aliado de Israel.
Nas últimas 24 horas foram registradas mais 84 mortes em Gaza, segundo o Ministério da Saúde deste território governado desde 2007 pelo movimento islamista Hamas.
Guterres afirmou neste domingo no Egito que "é necessário que Israel remova os últimos obstáculos" à ajuda à Faixa de Gaza.
Guterres reiterou o seu apelo a um "cessar-fogo humanitário imediato" para aliviar "a situação das crianças, mulheres e homens palestinos que lutam para sobreviver ao pesadelo em Gaza", durante uma coletiva de imprensa com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Sameh Shoukry, no Cairo.
No sábado, o chefe da ONU visitou a passagem fronteiriça de Rafah, às portas de Gaza, onde estão concentrados 1,5 milhão de palestinos, a maioria deslocados pelo conflito.
A passagem terrestre entre o Egito e Rafah é o principal ponto de entrada da ajuda humanitária, mas a assistência aos 2,4 milhões de habitantes de Gaza chega a conta-gotas.
"Olhando para Gaza, quase parece que os quatro cavaleiros [do Apocalipse], guerra, fome, conquista e morte, estão galopando por ela", declarou Guterres.
"O mundo inteiro reconhece que é hora de silenciar as armas e garantir um cessar-fogo humanitário imediato", acrescentou Guterres.
A guerra foi desencadeada pelo ataque do Hamas realizado em 7 de outubro em Israel, que deixou cerca de 1.160 mortos, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados israelenses.
Milicianos do Hamas também fizeram 250 reféns, dos quais Israel acredita que cerca de 130 permanecem em Gaza, incluindo 33 que teriam morrido.
O governo israelense está sob crescente pressão internacional para reduzir os bombardeios e a ofensiva terrestre em Gaza, que, segundo o Ministério da Saúde do território, custou a vida a 32.226 pessoas, na sua maioria mulheres e crianças.
- "Tudo desabou" -
Em Rafah, Hasan Zanoun olha com desolação para os restos da sua casa destruída num bombardeio noturno.
"Meus filhos e eu dormimos aqui", disse ele. "Fiquei surpreso por não ouvirmos o som de nenhum foguete e de repente tudo desabou sobre nossas cabeças, as bombas e os gritos".
Estados Unidos, Catar e Egito tentam mediar uma nova trégua, que permitirá mais assistência humanitária à população de Gaza e a libertação dos reféns israelenses detidos pelo Hamas.
O chefe da inteligência dos EUA, Bill Burns, e o diretor do Mossad israelense, David Barnea, deixaram o Catar na noite de sábado para informar suas respectivas equipes em seus países sobre a última rodada de negociações, indicou neste domingo uma fonte próxima às negociações, que falou sob condição de anonimato.
O Hamas informou aos negociadores em meados de março que estava aberto a uma trégua de seis semanas, incluindo a libertação de reféns em troca de palestinos presos. Mas um importante líder do movimento disse à AFP no sábado que persistem "divergências profundas" na obtenção de um acordo.
O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, viaja neste domingo para os Estados Unidos, onde se reunirá com altos responsáveis do governo de Washington, que aumenta a pressão para um cessar-fogo.
Um dos pontos de atrito é que Israel anunciou que lançará uma ofensiva em Rafah para conseguir uma vitória "total" sobre o Hamas, apesar dos avisos dos Estados Unidos, que acreditam que uma operação militar nesta cidade poderia "isolar ainda mais Israel".
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, respondeu na sexta-feira que espera lançar esta ofensiva com o apoio dos Estados Unidos, mas que, se necessário, lançará sozinho.
Netanyahu também enfrenta pressão interna e no sábado uma manifestação de familiares de reféns em frente ao Ministério da Defesa terminou com confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
A.Zbinden--VB