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Eslováquia vota em eleição presidencial marcada por divisões sobre a Ucrânia
Os eslovacos votam neste sábado (23) no primeiro turno de uma eleição presidencial marcada pelo confronto entre um candidato próximo da Rússia e outro a favor da ajuda à Ucrânia.
As pesquisas dão 37% das intenções de voto ao presidente do Parlamento, Peter Pellegrini, um ponto a mais que Ivan Korcok, ex-ministro das Relações Exteriores apoiado pela oposição nestas eleições presidenciais.
Caso nenhum dos nove candidatos em disputa obtenha mais de 50% dos votos, um segundo turno está marcado para 6 de abril. O vencedor sucederá à presidente em exercício, Zuzana Caputova, que decidiu não concorrer a um segundo mandato.
A votação deste sábado termina às 22h00 (18h00 no horário de Brasília) neste país da Europa Central de 5,4 milhões de habitantes, membro da Otan e da UE.
Pellegrini, ex-chefe de governo, conta com o apoio do atual primeiro-ministro, o populista Robert Fico, que se recusa a fornecer ajuda militar à Ucrânia, questiona a soberania deste país e apela à paz com a Rússia.
Korcok, um diplomata experiente, defende a causa ucraniana.
Entre os outros candidatos está o eurocético Stefan Harabin, de 66 anos, que elogiou abertamente o presidente russo, Vladimir Putin. As pesquisas o colocam na terceira posição.
- "Fico 2.0" –
Na capital Bratislava, Tomas Gubala, engenheiro da computação, votou em Korcok, "a única opção viável", já que segundo ele o candidato Pellegrini "é um Fico 2.0".
O empresário Roman Gejdos defende Pellegrini, que considera "o melhor candidato possível".
"Tenho total confiança nele; ele tem uma grande experiência na gestão do país, em comparação com outros", disse à AFP.
Os analistas acreditam que se for eleito um presidente alinhado com Robert Fico, a posição anti-ucraniana deste país da Europa Central poderá ser reforçada.
"Se Pellegrini vencer, a Eslováquia poderá seguir o caminho do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, em termos de política externa", disse o analista Tomas Koziak à AFP.
A Hungria tem recebido muitas críticas na UE por várias violações do Estado de direito, pela sua proximidade ao Kremlin e pela sua oposição à política do bloco de apoio contínuo à Ucrânia.
No último debate antes das eleições, Pellegrini, de 48 anos, pediu um "cessar-fogo imediato e a abertura de negociações de paz" entre Kiev e Moscou. Posição criticada por Korcok, de 59 anos.
"A Federação Russa pisoteou o direito internacional (...). Não creio que a Ucrânia tenha de ceder parte do seu território para alcançar a paz", disse à AFP o candidato apoiado pela oposição. "A paz não pode ser sinônimo de capitulação", insistiu.
Na Eslováquia, o chefe de Estado tem essencialmente funções protocolares, embora seja responsável pela ratificação dos tratados internacionais, pela nomeação dos juízes principais e pelo desempenho do cargo de comandante-chefe do exército.
M.Betschart--VB