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Chefe da ONU visita fronteira de Gaza, onde Israel insiste em atacar Rafah
O secretário-geral da ONU, António Guterres, planeja visitar neste sábado (23) a fronteira do Egito com a Faixa de Gaza, depois de Israel ter anunciado que invadirá a cidade palestina de Rafah com ou sem o apoio dos Estados Unidos.
Guterres planeja reafirmar o seu apelo a uma trégua humanitária, apesar de a pressão internacional não ter dissuadido Israel da sua ofensiva em Rafah, onde centenas de milhares de pessoas deslocadas pela guerra vivem em condições de superlotação.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, insistiu na ofensiva, apesar dos avisos de que a invasão causaria mortes em massa de civis e agravaria a crise humanitária.
"Espero fazê-lo com o apoio dos Estados Unidos, mas se for necessário, faremos sozinhos", disse Netanyahu na sexta-feira durante a visita do secretário de Estado americano, Antony Blinken.
A comunidade internacional tenta conter os combates que deixaram 32.142 mortos em Gaza, segundo um balanço deste sábado do Ministério da Saúde deste território palestino, governado pelo Hamas, em um momento em que especialistas alertam que a população está à beira da fome.
O Ministério da Saúde de Gaza relatou 72 mortes nas últimas 24 horas e afirmou que 74.412 pessoas ficaram feridas desde o início do conflito.
"Esta é uma catástrofe provocada pelo homem", escreveu o chefe da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, na rede social X. Ele acrescentou que a única solução é um cessar-fogo e "inundar Gaza com alimentos e suprimentos essenciais".
Mas a última tentativa do Conselho de Segurança da ONU para alcançar uma trégua "imediata" falhou na sexta-feira, quando China e Rússia vetaram uma proposta dos Estados Unidos, que os governos árabes consideraram muito fraca.
Um novo texto será votado na segunda-feira no Conselho de Segurança, indicaram fontes diplomáticas.
Entretanto, a violência continua no território palestino, especialmente em torno do complexo hospitalar Al Shifa, onde as forças israelenses afirmaram ter matado mais de 150 combatentes e detido centenas de suspeitos.
Em um funeral realizado na sexta-feira em Khan Yunis, os participantes relataram a dor das perdas contínuas.
"Todos os dias choramos por um ente querido", declarou Turkiya Barbaj no funeral.
"No início da guerra perdi o meu sobrinho e agora a minha irmã, o seu marido e os seus filhos. Quase toda a família morreu", lamentou. "Quanto tempo mais teremos que aguentar isso?".
- Derrotar o Hamas -
Guterres deverá se reunir com trabalhadores humanitários neste sábado no lado egípcio da fronteira com Rafah, a cidade onde cerca de 1,5 milhão de palestinos estão refugiados.
O destino de Rafah motivou as divergências entre Netanyahu e Blinken durante a reunião de sexta-feira em Tel Aviv.
"Não temos como derrotar o Hamas sem entrar em Rafah e eliminar os batalhões restantes lá", disse Netanyahu.
Blinken respondeu mais tarde que uma invasão de Rafah "não é a maneira de fazer isso".
O secretário de Estado afirma que o seu país "compartilha o objetivo" de derrotar o Hamas.
"Na próxima semana me reunirei novamente com autoridades israelenses em Washington para discutir uma forma diferente de atingir esse objetivo", acrescentou.
Refletindo as tensões crescentes entre os Estados Unidos e Israel, o governo de Netanyahu anunciou o confisco de 800 hectares na Cisjordânia ocupada, coincidindo com a visita de Blinken.
Vários governos israelenses aceleraram a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, considerados ilegais ao abrigo do direito internacional.
A organização israelense Peace Now garantiu que a apreensão anunciada na sexta-feira é a maior desde os Acordos de Oslo entre Israel e os palestinos na década de 1990.
O próprio Blinken criticou a expansão da colonização como "contraproducente para alcançar uma paz duradoura" com os palestinos.
A guerra começou com os ataques do Hamas em 7 de outubro, que deixaram cerca de 1.160 pessoas mortas em Israel, a maioria civis, segundo um cálculo da AFP baseado em números israelenses.
Os combatentes também fizeram 250 reféns, dos quais Israel acredita que cerca de 130 permanecem em Gaza, incluindo 33 que teriam morrido.
Israel impôs um bloqueio quase total a Gaza, restringindo o fluxo de ajuda humanitária que vem principalmente do Egito.
D.Schaer--VB