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Bombardeios russos com dezenas de mísseis e drones deixam dois mortos na Ucrânia
Ao menos duas pessoas morreram na Ucrânia depois que a Rússia lançou, na madrugada de sexta-feira, quase 90 mísseis e 60 drones explosivos, informaram as autoridades, em um dos ataques mais violentos registrados nas últimas semanas.
"Foram mais de 60 Shahed (drones de fabricação iraniana) e quase 90 mísseis de diversos tipos durante a noite", afirmou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
Os bombardeios mataram pelo menos duas pessoas e feriram 14. Além disso, três pessoas estão desaparecidas, informou o Ministério do Interior ucraniano.
Os ataques foram direcionados contra "centrais de energia elétrica, linhas de alta tensão, uma represa hidrelétrica, residências e até um ônibus", segundo Zelensky.
O presidente ucraniano informou que os bombardeios russos atingiram Kharkiv e sua região, no nordeste do país, Zaporizhzhia, no sul, Sumy, na região norte, Poltava e Dnipro, no centro, Odessa, no sul, Khmelnytsky, Vinnytsia e a região de Frankivsk, no oeste.
A defesa antiaérea derrubou 55 drones Shahed dos 63 lançados e 37 mísseis dos 88, anunciou o Exército.
Uma das linhas de energia elétrica que abastecem a central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, ocupada por Moscou, foi cortada por um bombardeio, anunciou o ministro ucraniano da Energia, Guerman Galushchenko.
"Esta situação é extremamente perigosa e ameaça provocar uma situação de emergência, pois se acontecer uma ausência de conexão desta última linha de comunicação com a rede elétrica nacional, a central nuclear de Zaporizhzhia ficará à beira de um novo 'apagão'", alertou a operadora ucraniana Energoatom.
O ministro da Energia afirmou que o bombardeio noturno foi "o maior ataque contra a indústria energética ucraniana dos últimos tempos".
- Uma morte em Belgorod -
Zelensky voltou a criticar o atraso na entrega da ajuda militar dos aliados ocidentais. Ele insiste na urgência de receber mais recursos de defesa antiaérea.
Nos Estados Unidos, um pacote de 60 bilhões de dólares está bloqueado há vários meses devido às disputas políticas entre republicanos e democratas.
"Os mísseis russos não atrasam, ao contrário dos pacotes de ajuda ao nosso país. Os Shahed não são indecisos, ao contrário de alguns políticos", afirmou Zelensky de maneira irônica.
A Rússia executou um grande bombardeio na quinta-feira contra Kiev, o primeiro na capital ucraniana e suas imediações desde o início de fevereiro. A Ucrânia derrubou 30 mísseis, mas 17 pessoas foram feridas pelos destroços dos projéteis.
O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu represálias pelo aumento dos ataques ucranianos nas últimas semanas em território russo, mais de dois anos após a ordem para a invasão da ex-república soviética.
O Kremlin sempre garantiu à população russa que a guerra não afetaria nem atingiria o território do país, mas com as eleições presidenciais russas em meados de março Kiev intensificou os ataques.
Uma mulher morreu e várias pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira em um bombardeio contra Belgorod, próxima da fronteira com a Ucrânia, informou o governador da região, Viacheslav Gladkov.
O Ministério da Defesa afirmou que destruiu oito foguetes que sobrevoavam esta região, disparados a partir da Ucrânia.
H.Gerber--VB