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Putin faz aparição pública na Praça Vermelha após eleições criticadas pelo Ocidente
O presidente Vladimir Putin comemorou, nesta segunda-feira (18), diante de uma multidão na Praça Vermelha o "retorno" à Rússia dos territórios ucranianos anexados, um dia depois de seu triunfo nas eleições presidenciais, consideradas ilegítimas pelos países do Ocidente.
Putin, de 71 anos, foi reeleito para o seu quinto mandato com 87,28% dos votos, em um pleito que durou três dias sem um candidato opositor com opções reais e que também foram realizadas nas regiões da Ucrânia ocupadas pelas forças russas.
A Comissão Eleitoral russa e o Kremlin elogiaram a vitória "recorde" de Putin, um resultado forjado a base da repressão à oposição e apresentado como prova da união nacional após a ofensiva na Ucrânia.
"De mãos dadas avançaremos e isso nos tornará mais fortes [...] Viva a Rússia!", disse Putin à multidão que assistiu a uma apresentação musical na Praça Vermelha de Moscou, coincidindo com o 10º aniversário da anexação da península ucraniana da Crimeia.
Putin apareceu junto com os três candidatos que concorreram contra ele nas eleições, após recebê-los em uma reunião no Kremlin na qual todos o parabenizaram.
Os outros três candidatos obtiveram 4,31%, 3,85% e 3,20% respectivamente, segundo este resultado, que não inclui os votos no exterior.
Todos os principais opositores de Putin estão mortos, na prisão ou no exílio.
As eleições aconteceram um mês depois que o principal detrator de Putin, Alexei Navalny, morreu na prisão.
É um resultado "excepcional" e uma "confirmação eloquente do apoio do povo russo" ao presidente, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Putin, no poder há quase 25 anos, conseguiu 10 pontos a mais do que em 2018.
Vladimir Putin "é o alicerce de nosso país", comentou Viktoria, de 23 anos, funcionária de uma empresa estatal que se dirigia ao show na Praça Vermelha.
Elena, economista de 64 anos, disse que não ficou surpresa com o resultado "porque qualquer cidadão que respeite o nosso país votou em Putin".
- A Rússia não se deixará 'intimidar' -
Após sua vitória no domingo pela noite, Putin declarou que este resultado mostra uma Rússia que não se deixará "intimidar" por seus adversários.
No seu discurso, Putin celebrou a "consolidação política interna", dois anos após o início da ofensiva contra a Ucrânia e das sanções ocidentais contra o país.
"Não importa quem ou o quanto querem nos intimidar, não importa quem ou o quanto querem nos esmagar", disse o presidente. "Não funcionou agora e não funcionará no futuro".
Ao longo da semana foram registrados bombardeios e ataques de milicianos ucranianos em solo russo para tentar perturbar as eleições.
Putin, que ainda poderá concorrer em 2030 e permanecer no poder até 2036, prestou homenagem aos soldados que lutam na Ucrânia e protegem "os territórios históricos da Rússia".
Na sua opinião, as forças russas, desde que assumiram o controle de Avdiivka em meados de fevereiro, têm "toda a iniciativa" no front.
A oposição conseguiu, contudo, se expressar simbolicamente, respondendo ao chamado da viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, que prometeu seguir com a causa do marido e pediu aos seus apoiadores que votassem ao meio-dia de domingo.
Navalnaya votou na embaixada russa em Berlim, onde vive exilada com os filhos.
Em outras embaixadas russas, longas filas também se formaram ao meio-dia. Dezenas de milhares de russos exilaram-se no exterior desde o início da ofensiva contra a Ucrânia por medo da repressão ou de serem recrutados para o Exército.
No cemitério onde Navalny foi sepultado, na capital russa, dezenas de pessoas colocaram flores e cédulas com o nome do opositor.
- 'Incrivelmente antidemocrático' -
Muitos países ocidentais criticaram as eleições.
O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Vedant Patel, disse nesta segunda-feira que as eleições na Rússia foram "um processo incrivelmente antidemocrático" e afirmou que Washington não vai parabenizar Putin.
A reeleição de Putin baseia-se na "repressão e intimidação", afirmou o alto representante de política externa da União Europeia, Josep Borrell
Foi uma eleição "sem opções", acrescentou a ministra das Relações Exteriores alemã, Annalena Baerbock. Para a França, também não havia "condições para eleições livres, plurais e democráticas".
Já o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que mantém boas relações com Moscou, ao mesmo tempo em que seu país é membro da Otan, parabenizou Putin e se ofereceu para mediar entre Rússia e Ucrânia.
"A Turquia está disposta a desempenhar um papel de mediador para que [a Rússia] se sente à mesa de negociações com a Ucrânia", disse Erdogan, segundo comunicado da Presidência turca.
Por sua vez, os aliados tradicionais da Rússia saudaram o resultado.
E o chefe de Estado boliviano, Luis Arce, escreveu na rede social X que o triunfo de Putin "reafirma a unidade do corajoso povo russo em torno de sua soberania e constante desenvolvimento".
M.Schneider--VB