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Rússia realiza eleições presidenciais que garantem poder a Putin
Os russos votam, a partir desta sexta-feira (15), em uma eleição presidencial de três dias, marcadas pela ofensiva na Ucrânia e nas quais o presidente Vladimir Putin, no poder há 24 anos, tem garantido um novo mandato de seis anos.
Putin, de 71 anos e no poder desde 2000 como presidente ou primeiro-ministro, busca transformar as eleições em uma demonstração de apoio à sua ofensiva militar na Ucrânia, que completou dois anos no mês passado.
Os locais de votação abriram às 8h00 locais (17h00 de quinta-feira, no horário de Brasília) na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, um país com 11 fusos horários, e fecharão as portas no domingo às 20h00 locais (15h00 em Brasília) em Kaliningrado, um enclave russo localizado entre a Polônia e a Lituânia.
A votação também ocorre nos territórios ocupados pela Rússia na Ucrânia e na Transnístria, um território separatista pró-Rússia localizado na Moldávia.
A vitória mais que provável de Putin nestas eleições sem oposição real lhe permitirá permanecer no poder até 2030, mais tempo do que qualquer líder russo desde Catarina, a Grande, no século XVIII.
No início da votação, tanto Moscou como Kiev informaram a morte de civis nos últimos bombardeios. Nos últimos meses, o Kremlin ganhou confiança devido às recentes conquistas territoriais na antiga república soviética.
As eleições, nas quais Putin enfrenta três candidatos que não expressam oposição à ofensiva na Ucrânia ou à repressão que dizimou a dissidência, acontecem um mês após a morte do principal crítico do Kremlin, Alexei Navalny, em uma prisão do Ártico.
- "Acima de tudo, a vitória" -
Tanto a Ucrânia como os governos das potências ocidentais descreveram as eleições como uma "farsa". O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, felicitou sarcasticamente Putin pela sua "vitória esmagadora" nesta sexta-feira.
Em Moscou, algumas pessoas aguardavam pela manhã para serem os primeiros a votar.
"É importante votar no futuro da Rússia", disse Liudmila, uma simpatizante de Putin, de 70 anos. Esta moscovita garantiu que espera "acima de tudo a vitória [na Ucrânia]".
Natan, de 72 anos e também apoiador do atual presidente, afirmou esperar que o governo aumente os números do "emprego" e do trabalho "para que não haja guerra, mas sim estabilidade no país".
Valentina, de 75 anos, também garantiu que "atualmente não há alternativa a Putin". Com os principais opositores de Putin mortos, na prisão ou no exílio, o resultado da votação não deixa margem para dúvidas.
As autoridades eleitorais excluíram os poucos candidatos da oposição que tentaram desafiar Putin. Uma pesquisa estatal no início da semana previu que ele deve obter mais de 80% dos votos.
Na região ucraniana de Donetsk, controlada por Moscou no leste do país, soldados armados acompanharam os funcionários eleitorais enquanto estes instalavam urnas em pequenas mesas na rua ou no capô dos veículos.
Os críticos de Putin ainda esperam atrapalhar a votação. A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, apelou aos eleitores para que se reunissem diante dos locais de votação ao meio-dia de domingo, último dia de votação, como forma de protesto.
Navalnaya, que vive no exílio e prometeu continuar a luta do seu falecido marido, pediu aos russos que votassem em qualquer candidato, exceto Putin.
O Ministério Público de Moscou alertou que puniria os envolvidos na "organização e participação de eventos em massa".
- Bombardeios -
Esta semana, a Ucrânia executou alguns dos seus maiores bombardeios contra a Rússia.
Os Exército russo também afirmou nesta sexta-feira que repeliu múltiplas incursões de combatentes da Ucrânia desde 12 de março. Estas tentativas de ataque foram reivindicadas por unidades russas anti-Kremlin.
As autoridades designadas por Moscou em Donetsk afirmaram nesta sexta-feira que três crianças morreram em um bombardeio noturno ucraniano.
A Ucrânia, por sua vez, disse que duas pessoas morreram em um ataque russo com drones na região de Vinnytsia, no centro da Ucrânia, e outra morreu em um bombardeio na região sul de Zaporizhzhia. Na cidade portuária de Odessa, no sul, o governador regional relatou dois socorristas mortos em um ataque russo.
Em Belgorod, na fronteira com a ex-república soviética, um grupo de eleitores se dirigiu a um refúgio antiaéreo depois que as autoridades emitirem um alerta aéreo, segundo a agência de notícias estatal RIA Novosti.
O Ministério da Defesa russo disse que a Ucrânia disparou sete foguetes contra a região.
R.Braegger--VB