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G20 reúne consensos à solução de dois Estados para conflito no Oriente Médio
A solução de dois Estados "como a única possível" para o conflito entre israelenses e palestinos foi defendida amplamente por chanceleres dos países do G20 reunidos no Rio nesta quinta-feira (22), um evento no qual a guerra na Faixa de Gaza ocupou um lugar central.
Na reunião de dois dias dos ministros de Relações Exteriores do grupo, que o Brasil preside temporariamente, "destacou-se virtual unanimidade no apoio à solução de dois Estados como sendo a única solução possível para o conflito entre Israel e Palestina", afirmou o ministro Mauro Vieira.
Vieira "só não disse unanimidade porque nem todas as intervenções (dos países) trataram do assunto, (mas) quem se manifestou apoiou, e foi muita gente", disse à AFP uma fonte do Itamaraty.
Esse consenso também foi destacado pela União Europeia.
"Pedi ao ministro brasileiro que em sua conclusão oral (...) abordasse o tema e explicasse ao mundo que no G20 todo mundo foi favorável a esta solução", disse à imprensa o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell.
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, também se disse favorável a uma solução de dois Estados.
"Todos queremos que este conflito termine o mais rápido possível, mas devemos nos assegurar (...) de que não deixe condições que só vão repetir o ciclo de violência", disse Blinken.
"Estamos trabalhando aqui com muitos sócios em um marco que possa produzir paz e segurança duradouras (...) Isto quer dizer que Israel esteja integrado na região, com relações normais com países-chave, com garantias firmes para sua segurança e um caminho concreto para um Estado palestino", acrescentou, segundo a transcrição de sua intervenção a portas fechadas na quarta-feira.
Segundo o jornal americano The Washington Post, os Estados Unidos e vários países árabes trabalhavam em um plano global de paz com um calendário para a fundação de um Estado palestino, uma vez encerrada a guerra atual entre Israel e Hamas em Gaza.
Sem entrar em detalhes, Borrell disse esperar que "nos próximos dias" se materialize uma iniciativa árabe.
A solução, acrescentou o europeu, tem que ser "em acordo com os Estados Unidos e com o mundo árabe".
- Críticas ao Conselho de Segurança -
Os pronunciamentos na reunião no Rio ocorrem um dia depois de o Parlamento israelense aprovar por ampla maioria uma resolução contra qualquer "reconhecimento unilateral de um Estado palestino", que segundo o texto, equivaleria a recompensar "o terrorismo sem precedentes" do Hamas.
"Não recompensaremos o terrorismo com um reconhecimento unilateral, em resposta ao massacre de 7 de outubro, do mesmo modo que não aceitaremos soluções impostas", disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, após a aprovação do texto.
Israel lançou uma ofensiva na Faixa de Gaza, em resposta ao ataque de 7 de outubro do Hamas, que deixou cerca de 1.160 mortos, segundo balanço da AFP com base em dados israelenses.
A ofensiva israelense em Gaza deixou ao menos 29.410 mortos, segundo o ministério de Saúde do território.
Além disso, uma grave crise humanitária afeta os habitantes de Gaza: segundo a ONU, 2,2 milhões dos quase 2,4 milhões de habitantes do território estão ameaçados pela fome extrema.
Na abertura do G20, o Brasil pôs o tema na agenda, ao criticar a inação "inaceitável" dos organismos multilaterais diante dos conflitos em Gaza e Ucrânia.
"As instituições multilaterais (...) não estão devidamente equipadas para lidar com os desafios atuais, como foi mostrado pela inaceitável paralisia do Conselho de Segurança" em relação aos conflitos na Ucrânia e em Gaza, disse Vieira.
Os Estados Unidos, principais aliados de Israel, voltaram a vetar na terça-feira uma resolução que pedia um cessar-fogo imediato em Gaza.
Antes de participar da reunião do G20, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, se reuniu na quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem expressou seu "desacordo" com as declarações de que o Exército de Israel estaria cometendo "genocídio" em Gaza de que a campanha militar israelense no território palestino seria comparável ao Holocausto.
"O secretário abordou o assunto [de Gaza] e deixou claro nosso desacordo com esses comentários", disse um alto funcionário do Departamento de Estado após o encontro.
As declarações de Lula provocaram indignação em Israel, que declarou o presidente "persona non grata". Em resposta, o Brasil convocou o embaixador israelense e chamou para consultas seu embaixador em Tel Aviv.
burs-ll/app/dg/mvv/ic
T.Suter--VB