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Coreia do Norte dispara 60 projéteis perto da ilha sul-coreana de Yeonpyeong
O Exército norte-coreano disparou mais de 60 projéteis perto da ilha sul-coreana de Yeonpyeong neste sábado (6), disse o Exército de Seul, um dia depois de Pyongyang lançar projéteis de artilharia na mesma região.
"As forças norte-coreanas dispararam mais de 60 projéteis da área noroeste da ilha de Yeonpyeong hoje, entre 16h e 17h (4h e 5h no horário de Brasília)", disse o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul em um comunicado, alertando à Coreia do Norte que ponha fim às suas ações.
Na sexta-feira, a Coreia do Norte disparou mais de 200 projéteis de artilharia perto de Yeonpyeong e Bangnyeong, duas ilhas sul-coreanas pouco povoadas localizadas perto de uma fronteira marítima entre os dois países.
Yeonpyeong, que tem cerca de 2.000 habitantes, está localizada no mar Amarelo, cerca de 115 km a oeste de Seul e 12 km ao sul da costa da província de Hwanghae.
Baengyeong, também muito próxima da Coreia do Norte, tem 4.900 habitantes e fica a cerca de 210 km a oeste da capital sul-coreana.
As autoridades ordenaram a evacuação dos civis como "medida preventiva" e as balsas foram suspensas devido à escalada militar, uma das mais graves registradas na península coreana desde 2010, quando o Norte bombardeou Yeonpyeong e matou dois militares e dois civis.
- Nova escalada -
Os disparos ocorrem após uma série de declarações belicosas do líder norte-coreano, Kim Jong Un, que nos últimos dias ameaçou "aniquilar" a Coreia do Sul e os Estados Unidos.
Tanto na sexta-feira como neste sábado, projéteis norte-coreanos aterrissaram em uma zona tampão marítima criada sob um acordo de 2018 para diminuir as tensões, que se rompeu em novembro depois que a Coreia do Norte lançou um satélite espião.
O Exército sul-coreano declarou neste sábado que "os repetidos disparos de artilharia (...) representam uma ameaça à paz na península coreana e uma escalada de tensões".
A força militar lançou "uma advertência firme" e instou Pyongyang a cessar as suas ações.
"A Coreia do Norte, após a sua declaração de anulação do 'Acordo Militar de 19 de setembro', continua ameaçando os nossos cidadãos com fogo de artilharia contínuo dentro da zona onde os atos hostis são proibidos", afirmou o Estado-Maior Conjunto.
"Em resposta, o nosso exército tomará medidas adequadas para preservar a nossa nação", acrescentou.
- "Ameaça" para a paz -
O regime norte-coreano afirmou na sexta-feira que os seus disparos perto das duas ilhas foram uma "resposta natural" às manobras lançadas pela Coreia do Sul, segundo a agência oficial de notícias norte-coreana KCNA.
"Eles nem sequer tiveram um impacto indireto nas ilhas", disse a KCNA.
Neste contexto, a China, que faz fronteira com a Coreia do Norte e é o principal apoio político e econômico daquele país asiático isolado, lançou um apelo à "moderação" a todas as partes.
Os Estados Unidos pediram à Coreia do Norte "que se abstenha de quaisquer novas ações desestabilizadoras e provocativas e que retome a diplomacia".
No final de dezembro, Kim Jong Un ordenou que os preparativos militares fossem acelerados tendo em vista uma "guerra" que poderia "estourar a qualquer momento".
No ano passado, o líder norte-coreano inscreveu na Constituição a vocação do país como potência nuclear e testou vários mísseis balísticos intercontinentais, violando resoluções da ONU.
As duas Coreias ainda estão tecnicamente em guerra desde o fim do conflito de 1950-1953 na península, que terminou com um armistício em vez de um tratado de paz.
R.Fischer--VB