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Cristiano Ronaldo, uma estrela ofuscada pelo brilho de Messi
Durante anos, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo foram arquirrivais no futebol e disputavam, acirradamente, as Bolas de Ouro. Na Copa do Mundo de 2026, o primeiro confronto à distância entre ambos foi vencido com autoridade e quase sem pestanejar pelo argentino.
Em meio à repercussão do hat-trick de Messi na vitória da seleção argentina sobre a Argélia por 3 a 0 na terça-feira, Cristiano Ronaldo iniciou seu torneio um dia depois como titular por Portugal, diante de um adversário acessível como a República Democrática do Congo, mas passou batido no decepcionante 1 a 1, com gol de João Neves para a Lusa.
Em suas respectivas carreiras, com Messi a poucos dias de completar 39 anos e Cristiano com 41, ambos se tornaram os primeiros a disputar seis Copas do Mundo, mas, por enquanto, as sensações em relação a um e a outro são diametralmente opostas neste início da competição na América do Norte.
No gramado em Houston, CR7 tocou na bola apenas 25 vezes, menor número entre todos os titulares, e esteve tão ausente que não cometeu nem sofreu nenhuma falta.
Sua contribuição ofensiva se limitou a três finalizações, e nenhuma delas foi na direção do gol, algo que os torcedores da equipe africana comemoravam nas arquibancadas, com cânticos irônicos de "Messi, Messi!".
"Sabemos que ele já não é o mesmo jogador de antes e que agora está mais velho (...) Na idade dele, já não consegue se esforçar como antes, mas tenho um enorme respeito por ele", admitiu na zona mista o meio-campista congolês Ngal'ayel Mukau.
O ídolo português jogou a partida inteira, mas correu para o vestiário ao som do apito final, algo sobre o qual o técnico espanhol da seleção, Roberto Martínez, foi questionado.
"É o primeiro jogo da Copa do Mundo, ainda não temos hábitos estabelecidos sobre o que precisa ser feito. Aqui, ao fim da partida, há obrigações diferentes. Os jogadores não têm certeza se devem ficar em campo ou ir para o vestiário. É algo que vamos ajustando", defendeu o treinador.
- "Longe de estar acabado" -
Na zona mista, onde a maioria dos jogadores de Portugal deixou o local com desânimo pelo empate inesperado na estreia, Cristiano Ronaldo foi breve e declarou à imprensa portuguesa: "Não faltou nada. Futebol é isso. Portugal podia ter vencido, mas também podia ter perdido".
Pouco depois, em sua conta no Instagram, enviou uma mensagem de ânimo e motivação aos seus 666 milhões de seguidores: "Não era o começo que queríamos, mas isto está longe de estar acabado. Cabeça erguida e foco no próximo jogo".
À espera desse próximo confronto, contra o Uzbequistão na terça-feira, o camisa '7' era frequentemente o escolhido pela imprensa internacional para destrinchar o tropeço português.
"Cristiano não merece isto", afirmou o jornal espanhol As, enquanto o italiano La Gazzetta dello Sport era mais direto: "Portugal decepciona, CR7 ainda mais".
- Eclipse total -
Na quarta-feira, foi concluída a primeira rodada da fase de grupos do Mundial e não foi apenas a atuação de Messi que ofuscou a estreia de Cristiano nesta edição.
O norueguês Erling Haaland (2 gols), o francês Kylian Mbappé (2 gols), o inglês Harry Kane (2 gols) e Vinícius Júnior (1 gol), outros nomes de destaque no torneio, corresponderam às expectativas em sua estreia.
Até o jovem Lamine Yamal, reserva por precaução no empate da Espanha contra Cabo Verde (0 a 0), deu um impulso à sua equipe quando entrou em campo, mesmo sem marcar.
Distante das ligas mais competitivas desde que se juntou ao Al-Nassr na Arábia Saudita no fim de 2022, dias depois de Messi erguer a taça mundial, Cristiano Ronaldo tem agora uma missão dupla na próxima partida contra os uzbeques.
Primeiro, recolocar sua seleção no rumo certo e, a nível pessoal, marcar para se tornar o primeiro da história a balançar as redes em seis Copas do Mundo diferentes, algo em que pode superar Messi, já que o argentino não fez gols na edição da África do Sul, em 2010.
H.Weber--VB