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Principal acusado pressionou por internação domiciliar de Maradona, diz filha do astro, em julgamento
Uma filha de Diego Armando Maradona afirmou nesta terça-feira (19) que o médico pessoal do astro argentino pressionou por uma internação domiciliar que, em última análise, levou à sua morte em 2020, ao prestar depoimento no julgamento contra a equipe médica que o assistiu durante seus últimos dias.
Jana Maradona, de 30 anos, referia-se a uma conversa entre o principal acusado, o neurocirurgião Leopoldo Luque, e a família do ex-jogador, durante a qual foi decidido que Maradona continuaria sua recuperação em uma residência particular após uma cirurgia para tratar um hematoma subdural, realizada em 3 de novembro de 2020.
"Ele nos disse que tínhamos apenas 'uma chance' e que precisávamos tomar a decisão certa. A casa deveria funcionar como uma clínica de reabilitação, mas em um ambiente que fosse mais acolhedor para o meu pai. Senti que era a melhor decisão", disse Jana ao tribunal em San Isidro, 30 quilômetros ao norte de Buenos Aires.
Ela relatou ainda que Luque havia argumentado que Maradona não concordaria em ser internado em uma clínica.
"Eles me disseram que seria um esquema de cuidados sério e profissional, que [a empresa de saúde privada] Swiss Medical estaria inteiramente à disposição do meu pai", continuou a terceira filha do ex-jogador.
O julgamento, iniciado em abril, busca estabelecer a responsabilidade da equipe médica que cuidou de Maradona durante a internação domiciliar que culminou, em 25 de novembro de 2020, na morte do ídolo aos 60 anos, em decorrência de edema pulmonar e parada cardiorrespiratória.
O processo examina tanto as condições quanto a adequação da internação domiciliar, defendida por Luque, em detrimento de um centro de reabilitação que havia sido proposto pelos médicos da clínica onde Maradona passou por uma neurocirurgia, relatou sua filha durante um depoimento que durou quase quatro horas.
Pelo menos uma dúzia de testemunhas descreveu a residência em Tigre, próxima a San Isidro, como suja e mal equipada para a prestação de cuidados médicos.
O psicólogo Carlos Díaz, por sua vez, testemunhou que "a pandemia provocou um declínio significativo no estado de ânimo" do superastro mundial, que, segundo Díaz, sofria de transtorno bipolar e transtorno de personalidade narcisista, além de dependência de álcool e medicamentos psicotrópicos.
Além de Luque e Díaz, outros cinco profissionais de saúde enfrentam acusações de homicídio com dolo eventual, que implica que tinham consciência de que suas ações poderiam levar à morte. Eles podem ser condenados a até 25 anos de prisão. Uma oitava acusada será julgada separadamente.
R.Kloeti--VB