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Cinquenta feridos e 63 presos em tumultos no clássico paraguaio Olimpia-Cerro Porteño
Os distúrbios ocorridos no domingo no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, durante o clássico do futebol paraguaio entre Olimpia e Cerro Porteño, que acabou sendo suspenso, deixaram cerca de 50 pessoas feridas e aproximadamente 63 detidas, informou a polícia nesta segunda-feira (20).
A partida foi suspensa aos 29 minutos devido à falta de garantias de segurança, após a decisão tomada pelo árbitro.
"Houve seis indivíduos detidos e colocados à disposição do Ministério Público, sete por posse de armas e entorpecentes, 18 detidos por testarem positivo para álcool e 32 flanelinhas identificados", detalhou o Comandante da Polícia Nacional, Comissário César Silguero, durante uma coletiva de imprensa.
Os distúrbios tiveram início na arquibancada norte do Defensores del Chaco, o principal estádio do país, que recebia um público de 40 mil pessoas. Relatos iniciais indicavam que até 100 prisões haviam sido realizadas.
A maioria, incluindo mulheres e crianças, se dispersou em meio a cenas de desespero provocadas pelo gás lacrimogêneo.
Os incidentes tiveram início do lado de fora do estádio, envolvendo um grupo de 'barras bravas' (integrantes de torcidas organizadas) do Cerro Porteño que, antes da partida, forçou a entrada no local, conforme explicou a polícia.
"Os ônibus [dos torcedores] chegaram tarde. Alguns indivíduos não possuíam ingressos, enquanto outros apresentaram bilhetes já utilizados. Eles tentaram forçar a entrada e começaram a causar tumulto", relatou o comissário Juan Aguero, chefe de polícia de Assunção.
"Uma vez nas arquibancadas, os torcedores começaram a arremessar pedaços de entulho e garrafas cheias de água ou urina. Um integrante do grupo tático perdeu o equilíbrio após ser chutado e empurrado. Já identificamos os agressores", afirmou o comissário Héctor Fernández, diretor de eventos esportivos.
- Displicência das autoridades do futebol -
Um policial de 22 anos sofreu uma fratura no nariz, lesões e ferimentos faciais, e deverá passar por uma cirurgia nesta segunda-feira, afirmou David Torales, diretor do Hospital da Polícia Rigoberto Caballero.
Ele é o policial cujo brutal espancamento viralizou nas redes sociais, gerando especulações de que teria morrido.
A maioria das pessoas atendidas nas unidades médicas sofreu ferimentos leves, segundo fontes médicas.
"Identificaremos, um a um, aqueles que instigaram esses incidentes. Os proprietários dos ônibus que transportaram esses torcedores serão sancionados", disse o Ministro do Interior, Enrique Riera, durante uma outra coletiva de imprensa.
Patricia Nieto, presidente da associação de moradores do bairro Sajonia, onde o estádio está localizado, disse à ABC-TV que as autoridades do futebol são "as únicas que não comparecem" às audiências públicas realizadas para coordenar esses eventos.
"Apenas representantes da Polícia comparecem (...) Eles estão esperando que uma grande tragédia aconteça para levarem isso a sério".
No âmbito esportivo, o caso será analisado pelo Tribunal Disciplinar da Associação Paraguaia de Futebol.
O código disciplinar estipula que, nesses casos, os pontos em disputa (3) devem ser atribuídos ao clube adversário.
O Olimpia, com 39 pontos, lidera atualmente o torneio Apertura, enquanto o Cerro Porteño (com 33 pontos) ocupa a segunda posição.
R.Fischer--VB