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Da Argentina a Miami: febre do padel cruza fronteiras
Deixando para trás a imagem de esporte de elite, a paixão pelo padel se espalhou com força nas Américas até chegar a Miami, onde se tornou um verdadeiro fenômeno.
Ao calor do estilo de vida da Flórida, este esporte de raquete encontrou uma porta de entrada ideal para o estratégico mercado americano.
A comunidade latina de Miami, já familiarizada com uma modalidade de raízes hispânicas, o adotou como um exercício físico seguro durante a pandemia e agora suas quadras com paredes de vidro se multiplicam em clubes, parques públicos e hotéis de luxo.
Empresários se lançaram a satisfazer a demanda dos adeptos que, além dos benefícios para a saúde, observam no padel um espaço para compartilhar com amigos e fazer novos contatos.
Miami concentra 40% das quadras de padel nos Estados Unidos. No resto do país, a construção de quadras também avança em grande velocidade, com um aumento de 100% no último ano e meio, mas o número nacional em 2025, mais de 770 quadras, ainda está longe dos de Argentina (7.000) ou México (2.500).
"Os Estados Unidos são um mercado novo, mas ao padel só falta tempo. É o esporte do futuro", assegura o argentino Fernando Belasteguín, considerado o melhor jogador da história deste esporte, em entrevista à AFP.
"É fácil de aprender, divertido, social. Homens e mulheres praticam, pode ser jogado por uma criança de cinco anos e um avô de 85 e, atualmente, que vivemos a toda velocidade, termina em pouco mais de uma hora", explica.
- Raízes hispânicas -
A fascinação pelo padel surgiu em Miami enquanto o restante do país adotava um esporte semelhante, porém local, o pickleball, também jogado principalmente em duplas e que não exige paredes.
"O padel nasce (no final da década de 1960) no México e é exportado para a Argentina e para a Espanha. E Miami é um hub latino-americano por definição", explica Sergio Montaner, proprietário do central Wynwood Padel Club.
"Entre 2018 e 2021, 90% dos nossos clientes eram latino-americanos ou europeus, mas isso está mudando cada vez mais", ressalta.
"Gosto de padel porque é um esporte muito sociável e mais amigável" do que o tênis, argumenta Danny O’Neill, advogado de 34 anos. "Você conhece gente interessante e pode acabar fazendo negócios com essas pessoas", acrescenta.
Para Montaner, ainda existe "um viés um pouco mais elitista ou menos democrático". "O investimento necessário é alto, porque as quadras são mais caras do que as de tênis ou pickleball, mas o aumento da oferta fará com que o padel se torne mais acessível", completou.
Estrelas do mundo esportivo, dos astros do futebol Lionel Messi e Cristiano Ronaldo até o tetracampeão de Fórmula 1 Max Verstappen, contribuíram para o boom da modalidade.
Algumas inclusive abriram seus próprios centros, como Zinedine Zidane na França, Rafael Nadal na Espanha e, em breve, Neymar no Brasil, ponto-chave dos avanços no sul do continente.
- "Nunca tive tantos alunos" -
Em 2025, a América do Sul abrigava 19% dos 35 milhões de jogadores amadores a nível mundial, ficando atrás apenas da Europa (61%), segundo a federação internacional de padel.
"Nunca tive tantos alunos", observa Jefferson Velho, com suas três décadas de experiência dando aulas no Brasil, onde algumas estimativas apontam quase 600 mil praticantes.
A Academia Santo Padel, em São Paulo, onde Velho treina, decidiu transformar antigas quadras de futsal, embora seus donos acreditem que sua clientela seja diferente.
"São públicos totalmente diferentes. Quem joga padel vem do tênis ou do beach tennis", indica Alexandre Castanha, um dos proprietários da academia.
"A facilidade do jogo atrai o brasileiro", comenta Velho, ressaltando outros de seus atrativos: "O lado social, o churrasco e a cerveja depois do jogo".
C.Bruderer--VB