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Irã adverte sobre risco de escalada militar após ameaças de Israel
O Irã alertou nesta quarta-feira (28) para o "impacto devastador" que uma retomada das hostilidades no Oriente Médio teria sobre os mercados mundiais, enquanto Israel continuava a apuração dos votos de uma eleição que pode definir o futuro da guerra regional.
A República Islâmica também afirmou que mantém conversas com mediadores sobre o fim do conflito e a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, um dia após uma nova advertência do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Nas eleições legislativas, que deram uma ligeira vantagem ao seu bloco, Netanyahu considerou que Israel tem uma "oportunidade histórica única", ao lado do presidente americano, Donald Trump, de "eliminar definitivamente a ameaça existencial" representada por Teerã.
Netanyahu fez repetidas críticas a Teerã durante os últimos dias da campanha eleitoral.
Israel já atacou o país em duas ocasiões: em junho de 2025 e no fim de fevereiro de 2026, nesta última vez em conjunto com os Estados Unidos, desencadeando um conflito que se espalhou por todo o Oriente Médio.
Embora desde o início de setembro tenha sido observada uma relativa calmaria no terreno, vários indícios sugerem uma retomada dos ataques. Os Estados Unidos reforçaram seu contingente militar na região e emitiram alertas a seus cidadãos que estão na área.
Nesta quarta-feira, o The Wall Street Journal informou que Washington pediu a vários países do Golfo que se preparassem para uma eventual "campanha militar breve e intensa" contra o Irã após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro.
O jornal, que citou fontes informadas sobre essas conversas, ressaltou que Trump ainda não havia tomado uma decisão definitiva.
- "Plano de sete dias" -
A guerra, que prejudicou as exportações das monarquias petrolíferas da região, abalou a economia mundial ao elevar os preços do petróleo bruto e do gás aos níveis mais altos em anos.
Impulsionado pelo aumento das preocupações, o Brent, referência internacional do petróleo, fechou em alta nesta quarta-feira, acima de US$ 115 por barril, ante os US$ 70 registrados antes da guerra. O gás natural europeu, por sua vez, superou os 100 euros por megawatt-hora pela primeira vez em quatro anos.
"O impacto devastador que qualquer ação militar instigada por Israel na região do Golfo Pérsico teria sobre os mercados internacionais continua sendo uma grande preocupação tanto para os fornecedores quanto para os consumidores de gás", escreveu na rede social X o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi.
Diante de um novo ataque, Teerã advertiu que responderia com represálias de maior magnitude contra infraestruturas vinculadas aos Estados Unidos no Oriente Médio, especialmente centros de dados e sistemas de inteligência artificial.
Araghchi afirmou posteriormente que o Irã mantém diálogo com os mediadores sobre o plano apresentado em setembro para reabrir o Estreito de Ormuz, por onde transitavam, antes da guerra, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
"Continuamos em contato estreito e permanente com intermediários para examinar propostas que permitam implementar nosso plano de sete dias", declarou.
O Irã condicionava a reabertura do estreito a um cessar-fogo de sete dias, ao desbloqueio de seus ativos retidos no exterior, ao levantamento das sanções que afetam seu setor petrolífero e ao fim do bloqueio naval americano contra seus portos.
Essas condições constavam de um memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos concluído em junho, após um cessar-fogo acordado em abril para pôr fim a 40 dias de ataques recíprocos.
No entanto, o frágil entendimento foi rompido em meados do ano, e os esforços diplomáticos para alcançar uma solução continuam estagnados.
- Mediação do Catar -
O site americano de notícias Axios informou nesta quarta-feira que mediadores liderados pelo Catar tentam reativar as negociações entre o Irã e os Estados Unidos para impedir uma retomada da guerra após as eleições americanas de meio de mandato, em 3 de novembro.
Segundo o Axios, que citou fontes americanas, israelenses e de outros países da região, os catarianos tentam "convencer o Irã a permitir que inspetores da ONU visitem suas instalações nucleares bombardeadas em troca de algum alívio das sanções americanas".
O Irã informou que uma delegação do Catar visitou Teerã no domingo para manter conversas.
As ameaças de Netanyahu de lançar uma nova campanha militar contra o Irã também provocam preocupação em Israel.
Enquanto aguarda a formação de um novo governo, Netanyahu está autorizado apenas a "administrar os assuntos correntes", lembrou seu adversário Gadi Eisenkot após as eleições.
Eisenkot pediu aos responsáveis pela segurança e aos funcionários do Estado que "se mantenham firmes diante de qualquer tentativa" de "utilizar a segurança de Israel para fins políticos".
R.Kloeti--VB