Volkswacht Bodensee - Ultradireitista Le Pen promete cortes drásticos para evitar inadimplência da França

Ultradireitista Le Pen promete cortes drásticos para evitar inadimplência da França
Ultradireitista Le Pen promete cortes drásticos para evitar inadimplência da França / foto: © AFP

Ultradireitista Le Pen promete cortes drásticos para evitar inadimplência da França

A líder de extrema direita Marine Le Pen, que lidera as pesquisas para a eleição presidencial francesa de 2027, prometeu cortes drásticos caso chegue ao poder, para evitar uma inadimplência da dívida da segunda maior economia da União Europeia.

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Suas declarações ocorrem no momento em que o governo do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, busca aprovar um orçamento para 2027 que prevê um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros (301,7 bilhões de reais) para sanear as contas públicas.

O governo prevê encerrar 2026 com um déficit fiscal de 5,4%, muito acima dos 3% estabelecidos pelas regras da zona do euro, e uma dívida pública de 119,3% do PIB (cerca de 3,6 trilhões de euros, 20,1 trilhões de reais), um recorde desde o início do levantamento dessa estatística, em 1978.

"A incapacidade dos governos macronistas de antecipar qualquer política econômica, financeira ou orçamentária capaz de impedir que o peso dos juros sufoque a França é particularmente preocupante", avaliou Le Pen.

"Se os franceses não optarem por uma ruptura política, a França caminhará para a inadimplência" de sua dívida, acrescentou a candidata do Reagrupamento Nacional (RN) durante uma coletiva de imprensa na sede do partido, dedicada ao seu programa econômico.

A líder de extrema direita prometeu, assim, uma "economia líquida de 140 bilhões de euros (782 bilhões de reais)" até 2032 em relação a 2026, caso chegue ao poder, além de reduzir o déficit para abaixo do limite europeu de 3% a partir de 2030 e a dívida para 112%.

Le Pen prometeu reduzir os impostos em até 30 bilhões de euros (167,6 bilhões de reais) líquidos durante o mandato de cinco anos e reiterou sua proposta de instituir uma "regra de ouro orçamentária" via referendo, para impor uma redução da dívida a cada ano.

Quanto ao sistema de previdência, um tema politicamente sensível, a candidata do RN promete uma economia de até 20 bilhões de euros (111,7 bilhões de reais) para reduzir o déficit da Seguridade Social, apesar de querer retornar a idade de aposentadoria para 62 anos, em contraste com os 64 anos impostos por Macron.

A candidata à presidência anunciou, assim, uma "grande reforma" visando à criação de um sistema de capitalização, paralelamente ao sistema de repartição, no qual as aposentadorias na França são pagas com as contribuições dos trabalhadores ativos, e não com investimentos financeiros.

Após reafirmar sua intenção de reduzir a contribuição da França para o orçamento da UE, ela também defendeu uma intervenção do Banco Central Europeu (BCE) para "aliviar o peso das taxas de juros".

Uma pesquisa recente indicou que Le Pen lideraria com folga o primeiro turno da eleição presidencial e venceria o segundo turno contra qualquer outro adversário, em sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Eliseu.

No entanto, as acusações de que o presidente de seu partido, Jordan Bardella, de 31 anos, teria feito comentários antissemitas no Facebook Messenger em 2013 representaram um duro golpe para sua campanha. Le Pen reiterou sua total confiança nele.

M.Vogt--VB