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Irã e EUA trocam ameaças após intensificação das hostilidades
O Irã ameaçou nesta quarta-feira (2) adotar uma "nova estratégia" para enfrentar os Estados Unidos após multiplicar as represálias no Golfo e além dele, em resposta a bombardeios americanos que atingiram uma festa de casamento.
Na maior escalada do conflito no Oriente Médio em meses, pelo menos 19 pessoas morreram nos ataques aéreos americanos.
Quatro das vítimas participavam de uma celebração de casamento no distrito de Sirik (sudeste), onde cerca de 70 pessoas ficaram feridas, e sete na região de Khuzistão (oeste), segundo os meios de comunicação estatais iranianos.
Teerã considerou a ação um "crime de guerra".
O presidente Donald Trump disse, enquanto isso, que seu país está pronto para atacar novamente.
"Ontem à noite destruímos muito mais do que o radar deles. Foi um ataque muito contundente, e estamos preparados para lançar outro a qualquer momento que quisermos", afirmou.
A Guarda Revolucionária também anunciou quatro mortos em suas fileiras e outros quatro na ala paramilitar dos Basijis.
Em represália, citou ataques contra bases americanas na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos, no Kuwait, no Bahrein e na região autônoma iraquiana do Curdistão.
- Uma "nova estratégia" -
Teerã advertiu que adotará uma "nova estratégia" na guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel no final de fevereiro.
"Em breve vocês verão que a nova estratégia do Irã no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento do bloqueio econômico fará seus alicerces em pedaços", publicou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, no X.
Pouco depois do ataque à festa de casamento, circularam na internet vídeos nos quais eram vistos escombros e ouvidos gritos de pessoas.
"Vocês transformaram o casamento deles em um funeral", afirma um homem em um vídeo divulgado pela agência de notícias Fars.
O principal negociador e presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chamou os Estados Unidos de "Satã" em uma publicação no X.
Sem fazer referência direta ao ataque à festa de casamento, o comando americano para o Oriente Médio afirmou que "o Exército dos Estados Unidos nunca ataca civis, ao contrário da Guarda Revolucionária".
Israel, por enquanto à margem das hostilidades, também advertiu nesta quarta-feira que está preparado para "responder com grande força" a uma eventual agressão iraniana.
- "Estreito de Trump" -
Desde o início do conflito, o Irã bloqueou o estreito de Ormuz, onde a atividade comercial, salvo em ocasiões pontuais, tem operado em níveis mínimos.
Por essa rota marítima transitavam antes da guerra 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito.
O presidente americano propôs nesta quarta-feira mudar seu nome para "estreito de Trump", mas depois deu a entender que não falava sério ao ser questionado pela AFP a respeito.
Segundo a Guarda Revolucionária, dois petroleiros pegaram fogo após colidirem com minas no Golfo, ao navegarem fora da rota designada pelas autoridades iranianas.
A última rodada de combates começou no domingo, quando Washington atacou alvos iranianos.
As forças de Teerã responderam com ataques contra tropas americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Dois petroleiros foram atingidos por projéteis em ataques cuja autoria não foi reivindicada.
Trump afirmou que os ataques de domingo foram "em represália à tentativa fracassada dos iranianos de instalar minas marítimas no estreito".
De acordo com a televisão iraniana, a ofensiva americana de terça-feira provocou explosões no sul do país, ao longo do estreito de Ormuz, e em uma ilha do Golfo.
A mesma fonte informou sobre outro ataque contra um aeroporto da província meridional de Kerman.
Além das ações militares, os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos.
O frágil cessar-fogo de abril entre Estados Unidos e Irã desmoronou após os ataques a navios comerciais no estreito de Ormuz.
Apesar do bloqueio diplomático, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, comprometeu-se a responder a qualquer iniciativa americana para retomar um acordo destinado a pôr fim à guerra.
burs/th/jfx/arm/pc-erl/an/fp/lm/aa/am
F.Fehr--VB