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Oposição a centros de dados agita eleições de meio de mandato nos EUA
A oposição ao crescimento explosivo dos centros de dados de inteligência artificial tornou-se uma questão central nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com democratas e republicanos unidos contra as gigantes da tecnologia.
Em pelo menos 21 disputas eleitorais em 18 estados, candidatos de ambos os partidos utilizaram anúncios de televisão este ano que mencionam "centros de dados", segundo relatórios de marketing citados por diversos veículos da imprensa americana.
Essas instalações de processamento de dados são extremamente exigentes em termos de eletricidade e água.
Em 13 estados, o aumento da demanda energética dos centros de dados elevou os custos totais em 9,3 bilhões de dólares (48,3 bilhões de reais) em um único ano, um aumento de 174%, segundo a empresa independente Monitoring Analytics.
A poluição sonora é outra grande preocupação, e moradores que vivem perto dessas instalações também reclamam dela.
A indignação com as contas de luz faz parte de uma rejeição mais ampla ao Vale do Silício e suas tecnologias, que são vistas como uma potencial ameaça aos empregos.
Até recentemente, muitos governadores e outros funcionários locais se apressavam em oferecer créditos fiscais cada vez mais atraentes para empresas de tecnologia, na esperança de atrair investimentos significativos em troca.
- Danos à "qualidade de vida" -
No Texas, o governador Greg Abbott suspendeu a aprovação de projetos de centros de dados até que um estudo de impacto sobre o abastecimento de água e energia seja concluído. No entanto, este representante republicano havia descrito recentemente seu estado como o "epicentro do desenvolvimento da IA".
Sua adversária democrata nas eleições de novembro, Gina Hinojosa, quer impor uma moratória à construção de novos centros de dados, semelhante à que vigora há um ano no estado de Nova York, até que medidas de segurança mais rigorosas sejam implementadas.
Em Brazoria, sudoeste de Houston, Melissa Burnett contou à AFP como a tranquilidade de sua vizinhança foi destruída pelo barulho de um novo centro de dados construído no ano passado.
"Não era para estarmos ouvindo isso, e não era para afetar a nossa qualidade de vida", explicou essa moradora de 44 anos, que comparou o barulho ao de um "trem de carga".
Os mesmos argumentos contra os centros de dados estão sendo repetidos por candidatos em todo o país.
Um candidato republicano ao governo da Flórida promete proteger as famílias desses centros que inflacionam as contas de água e luz, enquanto uma candidata democrata à Câmara de Representantes, da Pensilvânia, planeja exigir que as empresas de tecnologia arquem com os custos extras.
- Trump na contracorrente -
Em Ohio, onde os custos de energia dispararam, a questão dos centros de dados é onipresente na campanha eleitoral.
O democrata Sherrod Brown, que tenta retornar ao Senado após perder sua cadeira em 2024, lançou pelo menos quatro anúncios acusando seu rival republicano, Jon Husted, de ter tentado atrair novos centros de dados para este estado industrial do Meio-Oeste quando era vice-governador.
Em Wisconsin, é o republicano Tom Tiffany quem ataca seu rival democrata, chegando a apelidá-lo de "David Crowley dos Centros de Dados".
No entanto, no início deste ano, Tiffany elogiou a inteligência artificial e votou a favor de acelerar a construção da infraestrutura necessária. Deputado republicano e agora candidato a governador, ele quer revogar os incentivos fiscais para o setor e aumentar a regulamentação, sem chegar a proibir novos centros.
O presidente Donald Trump, por sua vez, nada na contracorrente e agora é praticamente uma figura isolada entre os republicanos.
"Os Estados Unidos devem manter a liderança na corrida da IA, que representa o futuro", afirmou sua porta-voz Karoline Leavitt, em meio à forte concorrência com a China.
O governo americano pressionou gigantes da tecnologia como Google, Microsoft, Meta, Oracle, xAI, OpenAI e Amazon a assinarem um "compromisso de proteção aos usuários".
As empresas se comprometem a não repassar aos consumidores o custo da modernização das usinas de energia e da rede elétrica necessárias para o desenvolvimento de suas tecnologias. Apesar disso, anúncios contra os centros de dados continuam inundando as telas dos americanos.
F.Mueller--VB