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Trump anuncia que aumentará para 50% as tarifas sobre carros e aço do Canadá
O presidente americano, Donald Trump, anunciou, nesta segunda-feira (24), que vai aumentar as tarifas de uma série de produtos do setor automotivo do Canadá a partir de 2027, em plena escalada tarifária entre esses dois parceiros.
Atualmente, as tarifas sobre os automóveis são de 25% se não incluírem materiais americanos em sua fabricação, enquanto as importações de aço já têm, no geral, tarifas de 50%.
"A partir de 1º de janeiro de 2027, as tarifas sobre todos os automóveis, caminhões, grandes e pequenos, autopeças e o aço vão aumentar para 50%", escreveu o presidente republicano em sua rede Truth Social.
Na sexta-feira, Estados Unidos e Canadá fracassaram em suas negociações para chegar a um acordo que evitasse a imposição de novas tarifas de 50% por parte do governo Trump sobre uma série de produtos canadenses.
Estas tarifas entraram em vigor no final de semana. São aplicadas a produtos canadenses avaliados em cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 103 bilhões) e representam 5,5% das exportações totais do Canadá para o país vizinho.
Os Estados Unidos argumentaram que o Canadá dá um "tratamento discriminatório" às importações de seu vizinho de bebidas alcoólicas, automóveis e laticínios.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse que o Canadá vai impor aos Estados Unidos tarifas de represália, ao descartar o que considerou como um "acordo ruim".
Nesta segunda-feira, Carney afirmou que o objetivo das negociações comerciais com Washington "sempre foi conseguir o melhor acordo para os canadenses, nunca um acordo a qualquer preço ou em qualquer prazo".
- Restrições e ameaças -
Ele acrescentou que, apesar do progresso rumo a um acordo, "esse ímpeto se inverteu" no final, e enfatizou que o fortalecimento da produção interna e a diversificação do comércio externo têm sido o "plano A desde o início".
Ele afirmou que o Canadá fortaleceu outras alianças comerciais, particularmente na Ásia e com a União Europeia.
No fim de semana, o primeiro-ministro canadense indicou que um dos motivos para o fracasso do acordo foi a tentativa dos negociadores americanos de impor restrições de última hora aos acordos comerciais do Canadá com outros países.
Eles também fizeram "ameaças contra a língua francesa" e a "cultura de Quebec", referindo-se à província francófona no leste do Canadá.
Os Estados Unidos são, de longe, o maior parceiro comercial do Canadá, e as exportações canadenses para o país vizinho representam 70% do total.
As tarifas de Trump já estão afetando setores-chave da economia canadense, como as indústrias do aço e a automobilística.
O Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos em bens neste ano, atrás do México, segundo dados do Departamento do Censo.
- "Não precisamos do Canadá" -
A pesquisa acrescentou que dois em cada cinco têm algum temor em relação a seus empregos.
O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, criticou a ameaça de Trump de impor tarifas sobre os carros. "Vamos atrás dele com tudo o que temos", disse à rádio Newstalk 580 CFRA de Ottawa.
Os Estados Unidos argumentaram que o Canadá oferece um "tratamento discriminatório" às importações do país vizinho de bebidas alcoólicas, automóveis, produtos lácteos, papel e produtos agrícolas.
Trump adiou a aplicação das tarifas em três dias na semana passada, enquanto Washington e Ottawa intensificavam as conversas em busca de um acordo.
O principal negociador canadense, Dominic LeBlanc, e sua equipe passaram horas na quinta e na sexta-feira no escritório do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em Washington. No entanto, não conseguiram chegar a um acordo.
Nesta segunda-feira, Trump afirmou que "o Canadá vem enganando os Estados Unidos da América há anos". "Nós não precisamos do Canadá, eles é que precisam de nós", disse.
Estados Unidos e Canadá ainda devem entrar em acordo sobre as revisões do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), que Trump se negou a renovar no mês passado e que ambos compartilham com o México.
As ameaças de Trump de transformar o Canadá no 51º estado dos Estados Unidos também deixam muitos canadenses irritados.
P.Staeheli--VB