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Lula liga para Trump e defende diálogo sobre tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou nesta sexta-feira (21) para o colega Donald Trump e defendeu um diálogo para resolver o tema das tarifas.
Lula disse ao presidente americano que as tarifas recentes são "infundadas" e que seguir na mesa de negociação é "a melhor opção para os dois países", informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência. A conversa durou uma hora e vinte minutos e foi conduzida em tom "amistoso" e "cordial", ressalta a nota.
Os Estados Unidos impuseram duas rodadas de tarifas ao Brasil em julho, acusando o país de falhas em áreas como desmatamento, propriedade intelectual e combate à corrupção. Segundo Brasília, Trump propôs que as equipes de ambos os países se reunissem novamente "o mais brevemente possível" para tratar do assunto.
Lula acusou recentemente os Estados Unidos de tentar interferir nas eleições de outubro, nas quais o presidente enfrentará seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump.
Uma fonte do governo brasileiro afirmou que a questão eleitoral não estava entre os temas da conversa. Mas Lula afirmou a Trump que o sistema eleitoral brasileiro é confiável, diante de uma pergunta genérica do presidente americano sobre o processo de eleições.
Lula defendeu nas últimas semanas sua determinação em dialogar com Trump, particularmente para tratar da questão das tarifas, que prejudicam a economia brasileira e enfurecem os líderes empresariais.
- Grupos terroristas -
Durante o telefonema, o presidente brasileiro reiterou sua recusa em designar as duas principais facções criminosas do país - Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) - como organizações terroristas. Washington atribuiu essa designação a ambos os grupos em maio.
Esses "grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas", diz o comunicado de Brasília.
A insegurança é a principal preocupação dos brasileiros às vésperas das eleições presidenciais. Flávio Bolsonaro defende a importação do modelo de linha dura do presidente salvadorenho, Nayib Bukele.
O senador afirma que pediu pessoalmente a Trump, durante uma reunião privada em Washington, que designasse o PCC e o CV como organizações terroristas, dias antes de os Estados Unidos tomarem essa decisão.
Lula e Flávio estão praticamente empatados em um provável segundo turno, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto.
F.Mueller--VB