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Pescadores iranianos retornam ao Estreito de Ormuz, apesar da ameaça de guerra
A bordo de seu barco, o pescador iraniano Mohammad-Amin conserta uma rede rasgada após uma longa jornada de trabalho no Estreito de Ormuz, de onde tirou seu sustento durante anos, mas com o risco latente de uma retomada da guerra.
Há apenas 15 dias ele voltou a pescar, aproveitando uma diminuição das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos que, por mais de cinco meses, se concentraram nesta passagem marítima estratégica, controlada por Teerã.
O conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por uma campanha de bombardeios conjuntos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, custou milhares de vidas.
No auge dos ataques aéreos, "era simplesmente impossível sair para o mar", declarou Mohammad-Amin à AFP, enquanto remendava sua rede.
Mas com as escassas economias da família esgotadas, "não podemos mais ficar em terra. Se não voltarmos, vamos morrer de fome, e tenho três filhos", acrescentou o homem de 47 anos, que não quis revelar seu sobrenome.
Ele também temia que sua pequena embarcação de madeira, atracada no passeio marítimo de Bandar Abbas, na costa sul, fosse destruída em um bombardeio, como aconteceu com outras centenas durante a guerra.
Segundo veículos de imprensa iranianos, cerca de dez pescadores morreram e outros 17 estão desaparecidos devido aos ataques aéreos na área.
Além disso, mais de 2.000 pescadores da província de Hormozgan, cuja capital é Bandar Abbas, perderam seus equipamentos de pesca durante a guerra, reportou o jornal Daily Iran no final de julho.
- "Não temos outra opção" –
O passeio marítimo, repleto de modestos cafés onde os iranianos se refugiam do calor sufocante do verão, foi bombardeado em várias ocasiões.
Os americanos "bombardeavam este local diariamente. Virou habitual, mas não havia nenhum outro local onde atracar os barcos", diz Hossein, de 53 anos, que também voltou ao mar quando os combates cessaram.
"Se o barco tivesse sido atingido, tudo teria acabado para nós", afirma um de seus colegas, Bagher Abbaszadeh, de 39 anos, perto da embarcação na qual trabalha e com a qual alimenta cinco famílias, inclusive a sua.
Embora remendar as redes seja uma tarefa diária para os pescadores, estes profissionais acreditam que seu equipamento, cujo financiamento já é complicado de conseguir, está se deteriorando ainda mais devido aos muitos destroços que o conflito deixou no mar.
Em resposta aos bombardeios americanos, o Irã atacou seus aliados no Golfo e perseguiu várias embarcações que tentavam escapar de seu controle no estreito, uma via marítima crucial por onde antes da guerra transitavam 20% dos combustíveis consumidos em nível mundial.
"O mar já estava sujo antes, mas agora está ainda pior com os destroços destes barcos", explica Mohammad-Amin.
Ele prevê um futuro sombrio. "Esta guerra não vai terminar, pois nenhuma das partes está disposta a chegar a um acordo", afirma.
"Logicamente que nos preocupa a possibilidade de que a guerra seja retomada (...) Aconteça o que acontecer, espero afinal que seja em benefício da gente comum", afirma Bagher Abbaszadeh.
O protocolo de acordo concluído em junho entre o Irã e os Estados Unidos fracassou no começo de julho e, embora o conflito tenha se moderado desde então, as negociações seguem estagnadas, sobretudo devido a divergências sobre o Estreito de Ormuz, que o Irã insiste em controlar.
Os Estados Unidos, por sua vez, afirmam que as dificuldades econômicas crescentes da república islâmica jogam ao seu favor.
Hossein assegura que irá para o mar mesmo se os combates forem retomados. "Não temos outra opção, temos que voltar ao mar. Se não trabalharmos, como vamos ganhar dinheiro?", questiona.
T.Zimmermann--VB