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Vídeo de estudante esfaqueado e detido após acusação falsa gera protestos no Reino Unido
Um vídeo divulgado pela polícia britânica, em que um estudante é detido após ser acusado falsamente de insultos racistas contra um homem sikh que o esfaqueou, gerou protestos nesta terça-feira (2) no Reino Unido e duras críticas da extrema direita.
As imagens foram divulgadas ontem, após um juiz condenar Vickrum Digwa, 23, a 21 anos de prisão pelo assassinato de Henry Nowak, 18, e por mentir para a polícia ao dizer que o estudante o havia insultado. Nowak foi esfaqueado em 3 de dezembro, quando retornava de uma festa em Southampton, Inglaterra.
Na noite de hoje, mais de mil pessoas, incluindo o ativista de extrema direita Tommy Robinson, reuniram-se em frente à delegacia de Southampton, aos gritos de "Justiça para Henry!". Os manifestantes seguiram até o local do crime, antes de atacar com objetos agentes que bloqueavam uma estrada.
O vídeo mostra Nowak deitado no chão, dizendo com a voz fraca que não conseguia respirar. Digwa mentiu para os agentes ao relatar que havia agido em legítima defesa, após ser xingado e agredido.
As imagens também mostram a polícia conversando com Digwa antes de algemar Nowak, quando o estudante já não reagia.
O primeiro-ministro Keir Starmer, trabalhista, disse que as imagens lhe causaram "náuseas", e que a polícia tinha "perguntas muito sérias" para responder.
A intervenção policial está sob investigação e um relatório deve ser divulgado em três meses. O pai de Nowak considerou "desumano e degradante" o tratamento que seu filho recebeu e exigiu uma investigação "completa, corajosa e transparente".
A líder conservadora Kemi Badenoch e o líder do partido de extrema direita Reform UK, Nigel Farage, pediram mudanças nas políticas de diversidade da polícia. Este último ressaltou que as palavras de Nowak ("Não consigo respirar") foram as mesmas ditas por George Floyd, homem negro morto por um policial branco em 2020 nos Estados Unidos.
A intervenção policial também gerou críticas do bilionário americano Elon Musk, que fez no X uma oferta para financiar uma ação judicial contra a polícia.
Digwa atacou Nowak com uma faca de cerca de 20 centímetros, que disse portar como parte de sua fé. Sua família pediu desculpas hoje à família de Nowak e à comunidade sikh, por ter "prejudicado injustamente sua reputação".
L.Maurer--VB