-
Câncer de Joe Biden se espalhou, anuncia filho
-
MP do Equador acusa sete supostos idealizadores do assassinato de Villavicencio
-
Fifa contra-ataca e denuncia 'um esforço orquestrado para minar seu presidente'
-
Turistas da Colômbia morrem em acidente de helicóptero no Rio de Janeiro
-
Atentados marcam primeiro dia do novo governo na Colômbia
-
Swiatek vence Kostyuk de virada e avança às quartas de final WTA 1000 de Toronto
-
Turistas da Colômbia morrem em acidente de helicóptero no Rio (imprensa)
-
Espanha inicia controle na fronteira com Itália após crise migratória
-
Após renovar com Real Madrid, Vini joga com braçadeira de capitão na vitória sobre o Ferencvaros
-
Simeone reafirma que decisão sobre Julián Álvarez já foi tomada
-
Bulgária convoca embaixador da Ucrânia após explosão de drone
-
O adeus ao voluntário que dedicou sua vida a recuperar corpos na guerra na Ucrânia
-
Atlético de Madrid acerta transferência de Thiago Almada para o River Plate
-
Espanha inicia controles fronteiriços com a Itália após crise migratória
-
Bruno Guimarães deixa Newcastle e assina com Arsenal
-
Hamas diz que segue disposto a avançar com plano de paz para Gaza
-
Pai de Lionel Messi morre aos 68 anos
-
Emirados Árabes afirmam que Irã atacou petroleiro no Estreito de Ormuz
-
Ex-advogado de Trump é confirmado como procurador-geral dos EUA
-
Ex-premiê candidato à presidência da França denuncia suspeita de interferência russa
A espera angustiante das famílias dos mineradores desaparecidos na China
Um homem fuma um cigarro atrás do outro, sentado em um posto de controle. Ele aguarda notícias de seu irmão mais velho, soterrado no pior desastre ocorrido em uma mina na China em quase duas décadas.
Seu irmão, de 47 anos e pai de três filhos, trabalhava na mina de carvão de Liushenyu, na província de Shanxi, no norte do país, cenário de uma explosão de gás que deixou ao menos 82 mortos.
Segundo a mídia estatal, havia 247 trabalhadores na mina naquele momento. Trata-se da pior tragédia mineradora desde 2009, quando 108 pessoas morreram em uma explosão ocorrida em um depósito na província de Heilongjiang, no nordeste.
Neste domingo (24), os socorristas tentavam encontrar duas pessoas ainda desaparecidas, informou a mídia estatal. Não está claro se seu irmão era uma delas ou se, na realidade, há mais desaparecidos do que os oficialmente divulgados.
Até a tarde de sábado (23), as equipes médicas haviam levado 128 pessoas ao hospital.
Desde que aconteceu a explosão, o homem, que pediu para manter o anonimato, não conseguiu se comunicar com seu irmão por telefone. Segundo relatou, seus pais ainda não sabem que o filho mais velho está desaparecido.
"Não me atrevo a dizer a eles", admite.
As autoridades investigam a explosão e afirmaram que, segundo as primeiras investigações, o grupo Tongzhou, que opera a mina, cometeu "graves violações ilegais".
Os "responsáveis serão severamente punidos, de acordo com a lei", declararam autoridades em uma coletiva de imprensa transmitida pela emissora estatal CCTV.
Mais da metade dos trabalhadores do turno de sexta-feira (22) desceu à mina sem estarem devidamente registrados, informaram veículos estatais, citando funcionários no local.
Em geral, os mineradores precisam passar por controles de reconhecimento facial ou carregar cartões de rastreamento para que possam ser localizados.
O Conselho de Estado, o gabinete chinês, ordenou a realização de "campanhas contra atividades ilegais" em todo o país, incluindo a falsificação de dados de segurança, a contagem imprecisa de trabalhadores no subsolo e contratações ilegais.
Vários mineradores do poço de Liushenyu acusaram a empresa gestora de negligência, e dois deles disseram à AFP que estão há meses sem receber salário.
"De tudo o que já vi, a gestão [nesta empresa] é a pior", disse um minerador de Shandong, de 58 anos, que já trabalhou em várias minas de carvão, à AFP.
O funcionário, que também pediu anonimato, contou que alguns mineradores tiveram que pagar do próprio bolso pelos capacetes.
- "Ansiosos" -
Enquanto isso, o homem do cigarro e outros familiares aguardavam em volta do posto de controle, impossibilitados de se aproximar mais da mina, à espera de qualquer informação.
A polícia vigiava de perto e ordenou aos jornalistas da AFP que evitassem falar com os familiares e que fossem embora do local.
Segundo o entrevistado, seu irmão trabalha na mina há três ou quatro anos, por um salário mensal entre 7 mil e 10 mil yuanes (entre 5.163,80 e 7.369,69 reais).
"Espero de verdade que não tenha acontecido nada com ele", comentou. "Dizem que há duas pessoas desaparecidas, mas quem sabe se isso é verdade? Honestamente, não sabemos", acrescentou.
As equipes de resgate se revezaram durante a noite para descer ao poço em busca dos dois desaparecidos e enviaram um robô para avaliar as condições da mina, informaram meios de comunicação estatais.
"Enquanto houver esperança, faremos todo o possível", declarou um dos socorristas à agência Xinhua.
Uma mulher de meia-idade, sentada sob uma árvore perto do posto de controle, esperava notícias de seu marido, também desaparecido.
"Se preocupar não adianta nada", declarou à AFP, sem dar seu nome. "Estamos muito preocupados, mas ficar ansiosos não muda nada", acrescentou.
- Acidentes frequentes -
Shanxi, uma das províncias mais pobres da China, é o centro da indústria carbonífera do país. Fica a 500 quilômetros de Pequim.
Embora a segurança nas minas chinesas tenham melhorado, os acidentes frequentes continuam em um setor em que os protocolos de segurança costumam ser frouxos.
Em 2023, 53 pessoas morreram em um deslizamento em uma mina de carvão a céu aberto na região setentrional da Mongólia Interior.
Apesar da rápida expansão das energias verdes, a China é a maior emissora de CO2 do mundo e a maior consumidora de carvão, recurso que considera uma solução confiável diante do fornecimento intermitente das renováveis.
Apenas as minas de carvão empregam mais de 1,5 milhão de pessoas neste país asiático.
L.Wyss--VB