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México e EUA iniciam com incógnitas negociações comerciais na próxima semana
México e Estados Unidos iniciam, na próxima semana, uma rodada de negociações para a revisão do Tratado de Livre Comércio (T-MEC), sem o Canadá na mesa e com dúvidas sobre o futuro trilateral do acordo e sua data-limite.
O objetivo é fechar um acordo em 1º de julho, após seis anos de uma tumultuada relação bilateral, com o 'tarifaço' imposto por Washington e a busca crescente de novos parceiros pelo México.
Nesta sexta-feira (22), União Europeia e México assinam uma atualização de seu acordo comercial para contornar a política protecionista do presidente americano, Donald Trump.
A negociação de um tratado trilateral ser feita bilateralmente entre dois dos sócios não surpreende o ex-ministro mexicano Ildefonso Guajardo, que negociou com Washington durante o primeiro mandato de Trump, em 2018.
"Quando os três aparecíamos em uma fotografia era apenas isso, uma fotografia", disse Guajardo em entrevista à AFP em Washington, em alusão às negociações.
"Não me espanta que 'bilateralizem' a negociação, mas estou quase certo de que o resultado final será trilateral porque senão, o esquema da integração não faria sentido", acrescentou.
- Reduzir as dependências -
O novo T-MEC, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo, com um intercâmbio de mercadorias anual de cerca de 2 trilhões de dólares (R$ 10 trilhões, na cotação atual), foi assinado em 2020.
O representante comercial americano, Jamieson Greer, entregou há meses uma lista com cerca de 50 pontos ao México com os temas que Trump considera essenciais.
Os Estados Unidos querem, antes de tudo, um aprofundamento no tema das barreiras para países terceiros, isto é, que a indústria, em especial em setores vitais como o automobilístico, esteja baseada na América do Norte.
"Estamos buscando relocalizar as capacidades e os produtos de manufatura. Primeiro nos Estados Unidos, segundo, na América do Norte, terceiro, no hemisfério ocidental", explicou esta semana o vice-representante comercial, Jeff Goettman, em um evento do Conselho das Américas, um centro de análises em Washington.
Há vozes dentro do governo Trump que pedem, inclusive, o desmantelamento do acordo trilateral, como o próprio presidente sugeriu.
O secretário de Comércio, Howard Lutnick, se expressou neste sentido, reunindo as exigências de alguns sindicatos.
O 1º de julho "é um dia importante, mas no que estamos trabalhando duro é em apresentar as melhores opções para o presidente", disse Goettman.
Na mesa de negociações também estão os recursos energéticos e a segurança sanitária, em especial a produção de medicamentos.
"Vamos nos concentrar significativamente na resiliência econômica, na redução de dependências", afirmou.
"O déficit comercial com o México subiu de aproximadamente 60 bilhões (de dólares, R$ 232 bilhões) em 2018 para cerca de 200 bilhões (de dólares, R$ 1 trilhão) agora. Isso faz dele nosso terceiro déficit comercial mais amplo", advertiu.
Guajardo fez um alerta sobre estes números.
"O que esperavam? Queriam desbancar a China [como parceiro comercial] e fortalecer suas relações comerciais com parceiros confiáveis. E foi isso que aconteceu", explicou.
O México se apresenta como um parceiro confiável, mas ao mesmo tempo endureceu muito seu setor energético durante o mandato de Andrés Manuel López Obrador, com uma renacionalização na prática de toda a cadeia de exploração e distribuição.
Os Estados Unidos querem reverter esta situação, o que antecipa negociações difíceis, prognostica Guajardo.
"Isto vai ser empurrado com a barriga inclusive para além de 2027", opina o ex-ministro.
D.Bachmann--VB