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Presidente admite situação elétrica 'tensa' em Cuba e culpa EUA
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, atribuiu, nesta quarta-feira (13), a situação "particularmente tensa" do sistema elétrico do país ao bloqueio energético que o governo dos Estados Unidos mantém na ilha há mais de três meses.
Nos últimos dias, Cuba sofreu apagões prolongados e níveis recorde de déficit de geração de energia pela escassez de combustível. Na terça-feira, cortes de eletricidade simultâneos atingiram 65% do território cubano, onde vivem 9,6 milhões de pessoas, segundo dados oficiais compilados pela AFP.
"Esse agravamento dramático tem uma única causa: o bloqueio energético genocida ao qual os EUA submetem nosso país, ameaçando com tarifas aduaneiras irracionais qualquer nação que nos forneça combustível", denunciou Díaz-Canel no X.
Desde o fim de janeiro, Washington só permitiu a chegada à ilha de um navio russo carregado com 100 mil toneladas de petróleo bruto, que permitiu uma leve melhora da geração de eletricidade durante o mês de abril.
Díaz-Canel disse que a administração do presidente americano, Donald Trump, "tem como principal objetivo o sofrimento de todo o povo, para torná-lo refém e conduzi-lo contra o Governo".
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, negou, na semana passada, a existência de um bloqueio petroleiro contra Cuba e atribuiu a crise energética a deficiências na gestão do governo comunista.
No entanto, Díaz-Canel assegurou que Cuba "não é um Estado falido", como Trump afirma.
"Nem o bloqueio implantado há mais de seis décadas, nem as 243 medidas de recrudescimento impostas pela administração Trump anterior (de 2017 a 2021) conseguiram destruir a Revolução", acrescentou, em alusão ao embargo comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde 1962.
Em Havana, são registrados cortes que superam as 19 horas diárias, enquanto os apagões se estendem por dias inteiros em várias províncias.
A geração elétrica na ilha depende em grande parte de sete usinas termelétricas envelhecidas, algumas com mais de 40 anos, que sofrem avarias frequentes ou precisam ficar fora de serviço para manutenção.
O país produz cerca de 40 mil barris diários de petróleo bruto pesado, destinado principalmente a estas termelétricas. A elas se soma uma rede de grupos geradores de reserva, abastecidos com diesel importado.
Desde o final de 2024, Cuba sofreu sete apagões generalizados, incluindo dois em março deste ano.
Para reduzir sua dependência do petróleo e enfrentar a crise, o governo cubano está promovendo o desenvolvimento de fontes renováveis, em particular a energia solar, com o apoio da China.
Entre 2025 e agora, foram instalados 56 parques solares fotovoltaicos, que aportam mais de 1.000 megawatts. Segundo dados do início do ano, isto representa cerca de 10% da geração elétrica do país, em comparação aos 3% registrados no final de 2024.
As autoridades preveem encerrar 2026 com 15% da geração de energia elétrica por energia solar.
M.Schneider--VB