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Trump rejeita condições do Irã para paz e Teerã alerta sobre novos ataques
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou neste domingo (10) como “totalmente inaceitáveis” as condições do Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, o que aumenta a probabilidade de que o conflito continue após semanas de negociações.
"Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gosto. TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.
Mais cedo, o Irã havia respondido à última proposta de paz de Washington, advertindo que não se conteria para reagir a qualquer novo ataque dos Estados Unidos nem permitiria mais navios de guerra estrangeiros no Estreito de Ormuz.
Mais de um mês após a implementação de um cessar-fogo em 8 de abril, não há avanços para concretizar uma solução duradoura nem o fim definitivo da guerra no Oriente Médio, desencadeada pelo ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
O Irã respondeu com represálias em vários países da região e com o bloqueio do Estreito de Ormuz. O conflito deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e desestabilizou a economia mundial.
"A República Islâmica do Irã enviou, por meio de um mediador paquistanês, sua resposta ao último texto proposto pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra", informou neste domingo (10) a agência oficial de notícias Irna, sem dar mais detalhes.
A agência destacou que a resposta do Irã se concentra em "pôr fim à guerra e garantir a segurança marítima" no Golfo e no Estreito de Ormuz.
Trump não mencionou o anúncio do Irã em uma extensa publicação no Truth Social mais cedo neste domingo, mas acusou a república islâmica de “rir” do seu país. “Eles não vão rir mais!”, acrescentou, sem dar mais explicações.
O presidente americano pressionará o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a questão do Irã quando visitar Pequim na próxima semana, declarou neste domingo um alto funcionário de seu governo. A China é um grande comprador do petróleo iraniano.
Em uma entrevista gravada durante a semana e divulgada neste domingo, o republicano afirmou que precisaria de apenas duas semanas para atacar “cada um dos alvos” restantes no Irã, e acrescentou que o país já está derrotado “militarmente”.
“Nunca nos curvaremos diante do inimigo e, se se fala em diálogo ou negociação, isso não significa rendição nem retirada”, publicou neste domingo no X o presidente iraniano, Masud Pezeshkian.
Enquanto isso, o premiê israelense Benjamin Netanyahu disse em uma entrevista divulgada neste domingo que a guerra com o Irã “não terminou”.
“Ainda resta material nuclear – urânio enriquecido – que precisa ser retirado do Irã. Ainda há instalações de enriquecimento que devem ser desmanteladas”, argumentou.
- "Nossa moderação terminou" -
Durante o dia, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu os Estados Unidos contra qualquer ataque a embarcações nas águas do Golfo e afirmou que a moderação do Irã chegou ao fim.
"Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas", escreveu Rezaei no X.
Vários alvos no Golfo foram atingidos por ataques neste domingo, incluindo um cargueiro que navegava em direção ao Catar.
O Ministério da Defesa do Catar informou que um cargueiro que chegava às suas águas vindo de Abu Dhabi foi atingido por um drone ao nordeste do porto de Mesaieed.
Embora não tenha havido reivindicação imediata de responsabilidade, a agência iraniana Fars informou que "o graneleiro atingido perto da costa do Catar navegava sob bandeira americana e pertencia aos Estados Unidos".
Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de ser responsável por um ataque que teve como alvo seu território.
Da mesma forma, o Kuwait relatou uma tentativa de ataque que foi neutralizada.
- Irã alerta França e Reino Unido -
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que seu país nunca “considerou” um destacamento naval militar no Estreito de Ormuz e esclareceu que seu plano era uma missão de segurança “combinada com o Irã”.
Macron fez essas declarações depois que o Irã advertiu a França e o Reino Unido sobre “uma resposta decisiva e imediata” caso fosse enviado qualquer navio de guerra ao Estreito de Ormuz.
No Irã, o chefe militar Ali Abdollahi reuniu-se com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, e, segundo a televisão estatal iraniana, recebeu "novas diretrizes e instruções para a continuação das operações".
No front do Líbano, o Ministério da Saúde informou que dois paramédicos do Comitê Islâmico de Saúde, ligado ao movimento xiita Hezbollah, morreram e outros cinco ficaram feridos neste domingo por bombardeios israelenses, apesar do cessar‑fogo em vigor.
burs-ahg/an/am/ic
C.Stoecklin--VB