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Sheinbaum e Macron concordam sobre soberania na luta contra o narcotráfico
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, e seu par da França, Emmanuel Macron, concordaram, nesta sexta-feira (7), em priorizar "o respeito à soberania" dos Estados na luta contra o tráfico de drogas, após os ataques dos Estados Unidos contra embarcações supostamente utilizadas para transportar drogas no Caribe e no Pacífico.
"A luta contra os narcotraficantes é uma causa que nos une a todos", disse em coletiva de imprensa o presidente francês, após reunir-se com Sheinbaum na Cidade do México.
Macron manifestou-se a favor de que este tema seja resolvido "mediante a cooperação entre Estados soberanos", em resposta a uma pergunta sobre os ataques americanos contra as chamadas "narcolanchas".
"Podemos lutar juntos contra o narcotráfico (...), mas a soberania de cada país deve ser respeitada", enfatizou.
Washington começou a realizar no início de setembro essas operações visando embarcações no Caribe e no Pacífico oriental, em frente à costa mexicana. Alguns especialistas alertaram que equivalem a "execuções extrajudiciais", mesmo que tenham como alvo traficantes conhecidos.
O número de mortos deixado pela campanha antinarcóticos dos Estados Unidos chega ao menos a 70.
Sheinbaum, que não falou sobre a questão durante a conferência, expressou anteriormente seu desacordo com os ataques americanos pelo risco que representam para a soberania do México, mas também pediu para se reunir com autoridades do país para discutir o assunto.
Macron destacou anteriormente o compromisso do México e da França com uma ordem mundial baseada "no respeito ao direito internacional, ao multilateralismo, à soberania dos Estados e aos direitos humanos".
- Cooperação sobre patrimônio cultural -
Os dois governantes também avançaram com relação à demanda mexicana de repatriar antigos códices mesoamericanos, manuscritos dos povos originários que ilustram a vida e as crenças da civilização mexicana.
Sheinbaum considera este um tema de "interesse maior" a tratar com Macron, cujo país tem a posse dos documentos há décadas.
O acordo contempla que os ministérios da Cultura dos dois países formem um "grupo de trabalho franco-mexicano sobre cooperação patrimonial", detalhou o presidente da França.
Entre suas tarefas estará a organização em 2026 de uma exposição no México na qual será exibido o códice Azcatitlán, conservado na Biblioteca Nacional da França, além de mostras cruzadas em ambos os países no marco da celebração do bicentenário das relações diplomáticas.
O assessor presidencial mexicano José Alfonso Suárez del Real ressaltou na quinta-feira que o códice Azcatitlán "é fundamental para conhecer o desenvolvimento do que foi México-Tenochtitlán desde sua fundação até o início do século XVII".
Sheinbaum, por sua vez, informou que o códice Boturini, uma das peças mais valiosas em posse do México, será exibido na França como parte do acordo de cooperação.
Os códices "representam a memória viva para o México de nossa história, a voz escrita de nossos antepassados e a raiz profunda de nossa identidade", declarou ela.
- Ampliar investimentos -
Outros acordos alcançados incluem o fortalecimento do conselho franco-mexicano de desenvolvimento econômico, cuja meta é ampliar os investimentos, o comércio e a complementaridade econômica dos dois países.
A cooperação e os investimentos estarão focados em setores como energia, transportes, economia circular, saúde, inovação e aeronáutica, apontaram os chefes de Estado.
O México é o país latino-americano que mais investe na França, e a nação europeia ocupa o 11º lugar entre os investidores estrangeiros em terras mexicanas.
Sheinbaum recebeu Macron às portas do Palácio Nacional, frente a dezenas de pessoas que entoavam "Presidenta!" do Zócalo da Cidade do México, a praça pública mais importante do país.
A última visita ao México de um presidente francês, o socialista François Hollande, foi em 2014.
D.Schaer--VB