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Novas tarifas dos EUA sobre produtos chineses chegarão a 104%
Os Estados Unidos cumpriram a última ameaça do presidente Donald Trump com uma tarifa adicional de 104% sobre produtos chineses, mas mesmo assim, as bolsas mundiais estão mais calmas do que nos últimos dias.
Um dia antes da entrada em vigor de novas tarifas aduaneiras americanas sobre as importações, sobretudo chinesas e europeias, as bolsas da Europa fecharam em alta (+2,50% em Paris, +2,71% em Londres). A da Ásia também subiu (+6,02%), enquanto o Dow Jones fechou em baixa de 0,84%.
Um respiro para os investidores depois que trilhões de dólares derreteram desde a última quarta-feira, quando o presidente americano anunciou tarifas para boa parte das importações da maioria dos países do mundo.
Como considera que seus parceiros comerciais "saqueiam" os Estados Unidos, Trump impôs desde sábado uma tarifa adicional universal de 10% sobre os produtos importados, com algumas exceções como o ouro e a energia.
Essa tarifa subirá a partir de quarta-feira para dezenas de aliados comerciais importantes, em particular a UE (20%) e o Vietnã (46%).
- Negociações -
A administração americana afirma, no entanto, seguir aberta à negociação, o que explica o alívio dos mercados.
Nesta terça-feira, Trump afirmou ter tido uma "conversa muito boa" com o primeiro-ministro e presidente interino da Coreia do Sul, Han Duck-soo, segundo uma mensagem publicada na plataforma Truth Social.
"As instruções do presidente para todos nós foram muito claras: devemos dar prioridade a nossos aliados e parceiros comerciais", comentou o principal assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, na Fox News.
O presidente decidirá "quando e se devemos falar com a China, mas até agora, recebemos a instrução de dar prioridade a nossos aliados e parceiros comerciais como Japão, Coreia e outros", continuou.
Desde que voltou à Casa Branca em janeiro, Trump já aplicou um acréscimo de 20% sobre os produtos chineses. Com os 34% anunciados na semana passada, deveria chegar aos 54% a partir desta quarta-feira. Não será assim.
O republicano ameaçou taxa em mais 50% os produtos chineses se Pequim retaliasse, e como o fez (com um imposto de 34% sobre os produtos americanos a partir de quinta-feira), as novas tarifas aumentarão para 104% na quarta-feira, anunciou a Casa Branca.
Um porta-voz do Ministério do Comércio chinês estimou que "a ameaça dos Estados Unidos de aumentar as tarifas contra a China é um erro após outro e expõe mais uma vez a natureza chantagista dos Estados Unidos".
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, disse nesta terça-feira que seu país tem "ferramentas" suficientes para "compensar" a turbulência econômica, segundo a agência Xinhua.
O governo americano parece otimista.
O secretário de Finanças, Scott Bessent, declarou à Fox News que "talvez cerca de 70 países" já entraram em contato com a administração americana para falar das tarifas.
"Tudo isso vai na direção correta", disse aos senadores americanos o representante comercial Jamieson Greer.
"Devemos nos distanciar de uma economia baseada unicamente no setor financeiro e no gasto governamental" para nos centrarmos em uma "baseada na produção de bens e serviços reais", avaliou.
- "Um completo imbecil" -
A UE prepara sua resposta, que será apresentada "no início da próxima semana", segundo um porta-voz da Comissão Europeia.
Os analistas consideram que a guerra comercial pode minar a economia mundial, com riscos de inflação, desemprego e diminuição do crescimento.
As medidas causaram alvoroço até mesmo no gabinete dos Estados Unidos.
O homem mais rico do mundo, Elon Musk, assessor de Trump e o rosto dos cortes nos gastos federais, chamou nesta terça de "um completo imbecil" Peter Navarro, um dos principais conselheiros comerciais da Casa Branca.
O bilionário chefe da Tesla, SpaceX e X o reprova por ter dito que ele "não é um fabricante de automóveis", mas sim "um montador" que trabalha com peças importadas da Ásia.
bur-fz-mjw-lem-erl/ev/db/dd/am/ic
S.Gantenbein--VB