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Macron critica 'vontade de guerra' da Rússia antes da cúpula de segurança sobre Ucrânia
O presidente francês, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira (26) que a Rússia ainda mostre uma "vontade de guerra" apesar dos esforços para alcançar uma trégua na Ucrânia, na véspera de uma cúpula convocada em Paris em apoio à ex-república soviética.
Macron receberá na quinta-feira os líderes europeus junto com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, para definir quais garantias de segurança podem ser oferecidas a Kiev assim que um acordo de cessar-fogo for alcançado.
Estamos em uma "fase decisiva para pôr fim à guerra de agressão" russa na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, afirmou o governante de centro-direita, em uma coletiva de imprensa junto ao seu par ucraniano.
Em seu discurso, Macron anunciou um pacote de ajuda militar adicional de 2,2 bilhões de dólares (12,6 bilhões de reais) à Ucrânia. Também instou a Rússia a aceitar sem condições o cessar-fogo de 30 dias oferecido pela Ucrânia.
Para Macron, Moscou continua mostrando uma "vontade de guerra" enquanto Kiev "assumiu o risco" de apostar na paz. "A Ucrânia expressou claramente aos Estados Unidos estar de acordo com um cessar-fogo total e incondicional de 30 dias, apesar de ser a vítima da agressão", disse. "Esperamos o mesmo compromisso por parte da Rússia", acrescentou.
Zelensky, por sua vez, afirmou que espera que a cúpula de quinta-feira termine com "decisões firmes". Participarão da reunião, entre outros, o chefe do governo alemão, Olaf Scholz, e o primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer.
"Não é o momento de reduzir a pressão sobre a Rússia nem de enfraquecer nossa unidade em prol da paz", insistiu o presidente ucraniano.
A cúpula de Paris ocorre após um ciclo de negociações indiretas na Arábia Saudita, que terminou com um acordo anunciado na terça-feira pelos Estados Unidos. O pacto deve conduzir, sob condições, a uma trégua no Mar Negro e nos ataques às infraestruturas energéticas.
- Troca de acusações -
Porém, em um sinal das tensões que se aproximam, a Rússia e a Ucrânia trocaram acusações nesta quarta-feira sobre querer atrapalhar o acordo.
A Rússia também impôs condições drásticas para sua entrada em vigor, entre elas o levantamento de várias sanções adotadas após seu ataque à Ucrânia.
"O objetivo principal [do presidente russo Vladimir Putin] é dividir e enfraquecer a unidade" dos europeus, comentou Zelensky em uma entrevista transmitida por vários canais de TV europeus nesta quarta.
"Tenta golpear a Europa de dentro, e conseguiu em parte por meio das posições da Hungria", cujo governo às vezes bloqueia as sanções contra a Rússia, argumentou.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, declarou na Jamaica que Washington examinará as condições pedidas pela Rússia para os acordos com a Ucrânia.
Também reconheceu que um pacto de paz "não será simples". "Levará algum tempo, mas pelo menos estamos nesse caminho e estamos falando dessas coisas", disse.
A Rússia lançou 117 drones contra a Ucrânia na madrugada de quarta-feira, dos quais 56 foram derrubados e 48 se perderam dos radares sem causar danos, informou a força aérea ucraniana.
Putin ordenou uma trégua de 30 dias contra as infraestruturas energéticas na semana passada, mas Kiev afirma que os ataques russos continuaram. Moscou, por sua vez, acusou a Ucrânia de atacar os mesmos locais estratégicos, o que Kiev negou.
Kiev acredita que a Rússia está tentando ganhar tempo ao rejeitar um cessar-fogo para continuar seus avanços militares no terreno. "Acho que a Rússia quer acabar com a guerra, mas pode estar enrolando", reconheceu Trump em uma entrevista na terça-feira.
- "Carta na mão dos ucranianos" -
Uma vez que se chegue a um acordo, um elemento-chave pode ser o envio de forças europeias para garantir que a Rússia não volte a atacar a Ucrânia.
Zelensky afirmou que era muito cedo para falar das funções específicas das futuras forças europeias na Ucrânia.
Ele fez isso depois que um de seus assessores, Igor Zhovkva, disse à AFP que a Ucrânia precisava de uma forte presença europeia e não apenas forças de manutenção da paz.
O líder ucraniano apontou que trata-se agora de saber "quem estará preparado" para participar de tais missões. "Ninguém quer arrastar nenhum país para uma guerra", acrescentou.
Macron ressaltou que as forças europeias não estariam na Ucrânia para lutar. Mas também esboçou como poderia ser a situação no terreno após um cessar-fogo, com uma linha divisória.
A questão será saber "qual será o mecanismo" para supervisionar a paz, disse. Uma força europeia poderia ser "uma carta na mão dos ucranianos" que poderia dissuadir "os russos" de lançar outro ataque, indicou, observando que tal força, entretanto, não estaria na linha de frente.
B.Wyler--VB