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Trump revoga status de proteção para venezuelanos e planeja enviar migrantes para Guantánamo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou, nesta quarta-feira (29), uma extensão do Status de Proteção Temporária (TPS) que impedia a expulsão de mais de 600 mil venezuelanos do país e disse que planeja enviar migrantes em situação irregular para a prisão militar de Guantánamo, normalmente reservada para acusados de terrorismo.
"Assinarei hoje um decreto ordenando aos departamentos de Defesa e Segurança Interna que comecem a preparar as instalações para 30 mil migrantes na baía de Guantánamo", uma base militar americana em Cuba, disse Trump, garantindo que enviará "criminosos" em situação irregular.
Alguns "são tão perigosos que nem confiamos que os países os retenham, porque não queremos que voltem", acusou. É um "lugar de onde é difícil sair".
Centenas de prisioneiros, incluindo alguns membros da Al Qaeda, passaram por Guantánamo, mas, segundo o The New York Times, a prisão também tem sido usada ao longo das décadas para encarcerar migrantes interceptados no mar.
A prisão é polêmica por suas condições extremas. Com base em depoimentos, algumas associações denunciam que os migrantes são vigiados quando ligam para um advogado, são forçados a usar óculos escuros durante o transporte e o local está cheio de ratos.
Trump fez o anúncio diretamente da Casa Branca, onde sancionou a primeira lei anti-imigração de seu segundo mandato. A norma permite a prisão automática de migrantes em situação irregular acusados de alguns crimes, incluindo roubo.
A lei leva o nome de Laken Riley, uma estudante de enfermagem de 22 anos assassinada por um venezuelano em situação irregular que era procurado por roubo a lojas. O criminoso foi condenado à prisão perpétua.
- "Sacos de lixo fora" -
Poucas horas antes, a secretária de Segurança Interna americana, Kristi Noem, havia anunciado na Fox News a revogação da extensão do Status de Proteção Temporária para venezuelanos determinada pelo ex-presidente Joe Biden pouco antes de deixar o cargo.
"O povo deste país quer esses sacos de lixo fora. Eles querem que suas comunidades estejam seguras", declarou.
"Interrompemos isso" e "vamos seguir o processo e avaliar todos esses indivíduos que estão em nosso país", insistiu.
Em 10 de janeiro, dia da posse presidencial de Nicolás Maduro em Caracas, a administração democrata prolongou o TPS por 18 meses para os venezuelanos, de 3 de abril de 2025 a 2 de outubro de 2026, "devido à grave emergência humanitária que o país continua enfrentando devido às crises políticas e econômicas sob o regime desumano" do governante chavista.
O TPS é um programa estabelecido pelo Congresso para cidadãos estrangeiros que não podem retornar de forma segura ao seu país devido a desastres naturais, conflitos armados ou outras condições extraordinárias.
De acordo com o Pew Research Center, havia 1,2 milhão de pessoas elegíveis para o TPS ou que já haviam se beneficiado do programa até março de 2024, sendo os venezuelanos o grupo mais numeroso.
As medidas anunciadas nesta quarta-feira "nos deixarão um passo mais perto de erradicar de uma vez por todas o flagelo da imigração criminosa em nossas comunidades", disse Trump.
Assim que assumiu o cargo, há pouco mais de uma semana, Trump declarou emergência nacional na fronteira com o México e começou a destruir o legado de Biden em todos os setores com uma série de decretos.
O republicano acabou com a permissão de permanência temporária concedida a migrantes de Venezuela, Cuba, Haiti e Nicarágua que tenham um patrocinador nos Estados Unidos, além de desativar o aplicativo CBP One, que permitia agendar uma entrevista com as autoridades para entrar legalmente.
Trump também reativou o programa "Fique no México", implementado em seu primeiro mandato (2017-2021), no âmbito do qual os migrantes aguardam o desfecho do processo migratório do outro lado da fronteira.
O republicano ordenou operações de busca de migrantes, alguns dos quais foram enviados algemados em aeronaves militares, o que gerou tensões diplomáticas com vários países, como Brasil e Colômbia.
- Retórica anti-imigração -
Muitos desses migrantes são latino-americanos que fugiram da pobreza e da violência.
As organizações de defesa dos migrantes e os democratas protestaram, mas Noem os acusa de querer proteger as gangues.
"Estão completamente desconectados das pessoas", afirmou.
G.Schmid--VB