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Milei: universidade pública 'não está em discussão'
O presidente argentino, Javier Milei, ressaltou, nesta terça-feira (15), que a universidade pública “não está em discussão”, mas afirmou que não cederá aos pedidos de aumento orçamentário, em meio a uma multiplicação de protestos estudantis.
"Aqui não está em discussão a universidade pública", declarou o presidente em entrevista ao canal de TV LN+. "Gratuita não é, alguém está pagando, é paga pelos que não vão. Não cederei", afirmou, ao ser questionado sobre as reivindicações envolvendo os salários dos professores, que estão causando pedidos de demissão em massa, alertaram os reitores das principais universidades públicas, que concentram 80% das matriculas no ensino superior.
Há duas semanas, Milei vetou uma lei que aumentava a verba destinada às universidades por considerar que ela colocaria em risco o equilíbrio fiscal, pilar do seu governo, apesar de o gabinete de orçamento do Congresso ter calculado seu impacto em 0,14% do PIB.
O veto acirrou os ânimos da sociedade argentina, que se mobilizou em grandes passeatas para apoiar os universitários e se opor ao ajuste, que também afeta outras áreas sensíveis, como a saúde pública.
Milei justificou o veto citando a falta de prestação de contas das universidades: "Por que tanto problema porque queremos auditá-las? Quem não quer ser auditado? Aquele que está sujo".
As universidades realizam auditorias internas ordinárias, mas a Auditoria Geral da Nação (AGN) está com seu plano de revisões pendente. Ele precisa ser aprovado por uma comissão parlamentar cuja formação não foi concluída pelo governo.
O Executivo permitiu hoje que um órgão que responde á Presidência (Sigen) audite as universidades. “Podem discutir o orçamento e colocar o número que quiserem. Desde que respeitem o déficit zero, não me importo", afirmou Milei.
O governo prorrogou para 2024 o orçamento universitário de 2023, apesar de a inflação argentina ter atingido 209% em 12 meses em setembro.
Em relação a 2025, o governo orçou para as universidades públicas metade da verba que os reitores indicaram ser necessária para garantir o funcionamento das instituições.
R.Fischer--VB