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Termina greve que bloqueou túnel sob canal da Mancha por horas às vésperas do Natal
Um acordo alcançado na noite desta quinta-feira (21) pôs fim a uma greve surpresa de funcionários franceses a poucos dias das festas de fim de ano, que provocou o fechamento do túnel ferroviário sob o Canal da Mancha, entre França e Reino Unido, gerando confusão em várias estações ferroviárias da Europa.
O anúncio repentino de cancelamento de todos os trens para o continente partindo da estação St. Pancras, em Londres, causou pânico entre os passageiros.
Segundo uma jornalista da AFP presente no local, os agentes de recepção e segurança da estação - que também pareciam surpresos - tiveram, inclusive, que retirar passageiros que já tinham passado pelos controles de segurança e aguardavam as composições nas plataformas.
A mobilização, que reivindicava que fosse triplicado um bônus de fim de ano de 1.000 euros (5.357 reais, na cotação atual), provocou "a interrupção total do serviço e o fechamento dos nossos terminais na França e no Reino Unido", informou a Getlink - administradora do Eurotúnel - em um comunicado.
Como consequência, a Eurostar cancelou 30 viagens de trens de passageiros que deviam partir de Paris, Londres e Bruxelas nesta quinta-feira.
Os trens de carga para transportar carros e caminhões sob o túnel de uma margem à outra também ficaram bloqueados em Calais (França) e Folkestone (Reino Unido).
À noite, os sindicatos anunciaram ter alcançado um acordo, suspendendo a paralisação.
"O movimento de crise social no Eurotúnel chega ao fim (...) A atividade no túnel sob [o canal de] a Mancha será retomada esta noite", afirmou o delegado da central Force Ouvrière (FO, Força Operária), Franck Herent.
O sindicalista informou que a decisão foi tomada depois de negociações com a direção do Eurotúnel, que levaram a "resultados satisfatórios" para os grevistas.
Mais cedo, a paralisação tinha provocado uma dura reação do governo francês. "O bloqueio do túnel sob o Canal da Mancha é inaceitável. Uma solução deve ser encontrada imediatamente", exigiu o ministro francês dos Transportes, Clément Beaune.
- Triplicar a bonificação -
"As organizações sindicais rejeitaram o bônus excepcional de 1.000 euros (5.362 reais, na cotação atual), anunciado pela direção e convocaram uma greve para exigir que seja triplicado", informaram em um comunicado emitido mais cedo.
"Para além do dinheiro, há outras coisas e condições de trabalho que não são o que eram", afirmou à AFP Cathia Capon, coordenadora do terminal de carga do Eurotúnel em Pas de Calais.
Ela e outros funcionários denunciam a degradação das condições de trabalho.
Os muitos viajantes que planejavam embarcar para o continente para as festas de fim de ano correram para tentar mudar seu bilhete para o dia seguinte, ou reservar um dos voos ainda disponíveis.
"Íamos para a Disneylândia (perto de Paris) com as crianças. Estamos pensando em pegar o ferry de Dover para Calais, mas precisamos de um carro para isso. É estressante demais. Não se pode improvisar uma viagem de carro com três crianças, é preciso se preparar", lamentou Sam Boyal, um britânico que ficou na plataforma.
Na estação de Lille-Europe (norte da França), Santiago Rodríguez, um mexicano de férias com sua família, procurava outra solução para chegar a Londres. "Iremos a Bruxelas. É horrível ter que destruir nossos planos", disse.
Em Calais, na entrada do terminal francês onde carros e caminhões sobem nos trens para chegar a Folkestone, do outro lado do estreito, longas filas de veículos, de mais de um quilômetro, se formaram.
C.Kreuzer--VB